Os livros tem uma forte relevância nas muitas adaptações cinematográficas. Vez por outra, as linhas em “preto e branco” servem de apoio, inspiração, consternação, reflexão para as muitas obras que invadem as telinhas e telonas. E isto aplica-se perfeitamente a “Mundo em Caos”, da Lionsgate. O longa é baseado no livro de Patrick Ness, “O Motivo”.

O cinema ainda respira por aparelhos. A pandemia do novo coronavírus ainda não foi vencida, portanto há poucos cinemas abertos para esmiuçarmos os produtos feitos para ele. E “Mundo em Caos”, de Doug Liman (“Identidade Bourne”), é um bom exemplo nesse sentido. O filme conta a história da chegada de Viola (Daisy Ridley) à um planeta de nome não revelado, que possui uma colônia de humanos. Todavia, há algo estranho naquele lugar: As mulheres são raras ou quase inexistente. E os sobreviventes do sexo oposto mantem uma rígida sociedade patriarcal, sob domínio do prefeito David Prentiss, vivido pelo astro Mads Mikkelsen (“Druk – Mais uma rodada” e, “Doutor Estranho”).

Neste ambiente hostil, os homens apresentam uma cognição nunca vista – “ruídos”. Os pensamentos masculinos são projetos quase que sem querer e todos podem conhecer a fundo o que cada individuo pensa naquele exato momento. E Todd Hewitt (Tom Holland) ajudará a Viola a fugir do acampamento que mora, temendo por perigos ainda maiores que está por descobrir nessa incrível jornada.

Apesar dos argumentos quase frágeis, em muitos momentos desconexos, o filme consegue desenvolver as suas premissas: Numa sociedade quase que estamental, fincada em regras dantescas, a humanidade sempre sairá perdendo. Além disso, o longa da Lionsgate explora bem a cultura do extermínio instalada em nosso DNA sangrento, apresentando ao espectador comum tratativas imorais e estranhas quase que de maneira pedagógica quando comparado a outros momentos do homem na Terra.

Sobre o filme em si, ele mantem uma narrativa ligeiramente entusiasmante mesmo em meio ao “caos” proposto. Com bons momentos no todo, e poucas escolhas diretivas equivocadas, “Mundo em Caos” apresenta-se bem o cinéfilo de plantão. Entrega o entretenimento como esperado. Holland consegue torna-se o destaque na trama, que também possui boas atuações de Ridley Mikkelsen.

Os quadros de “Mundo em Caos” são bem coesas. O diretor Doug Liman sabe ditar o ritmo que a estória deve ter, nos chamando a atenção para a cena do rio – “nos envolvendo numa angustia sem precedentes”.

Com uma belíssima trilha sonora, bom CGI e design de produção, o filme “Mundo em Caos” acerta em vários quesitos técnicos, mas não é uma sumidade conceitual. O longa apresenta uma ideia inovadora sobre muitos conceitos textuais, mas precisa definir o que realmente deseja para se lançar abertamente ao novo e ao encantador na sétima arte, como parte do grande desafio que é fazer cinema.

 

Classificação

O filme da Lionsgate, “Mundo em Caos” encontra-se disponível nos cinemas brasileiros.

By Amauri Alves

Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante (...) Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo