Sem apelos, bem desenvolvido, equilibrado e repleto de temas bastante discutíveis sobre um assunto popular mas pouco explorado, chegou à Netflix a comédia-erótica “Sexify”. Dirigido por Kalina Alabrudzińska, o programa polonês que permite ao espectador comum a se aprofundar um pouco mais sobre um universo aparentemente “novo” e distante das mulheres: O orgasmo feminino.

Apesar de vivermos na chamada “Era da informação”, há temas frágeis, desconfortáveis, espinhosos, delicados para se falar. E o sexo parece ser um deles. Há pessoas que durante toda uma vida, nunca conversaram sobre o assunto, nunca tiraram uma dúvida, nunca experimentaram as múltiplas possibilidades do carinho entre duas ou mais pessoas pelo medo e/ou barreiras impostas pela sociedade, principalmente pela igreja tradicional, que conceitualmente tratava o tema com certo desdém e originariamente pecaminoso. E quando o tema ronda o universo feminino, é justamente aí que as coisas tendem a piorar, dado aos aspectos basilares entorno do preconceito e do machismo estrutural.

“Sexify”, da Netflix, tenta objetivamente desconstruir os arquétipos criados por essa sociedade patriarcal e, de certo modo, atinge o seu real objetivo, confrontando com simplicidade o tema, mesmo que de maneira arrastada.

Natalia (Aleksandra Skaraba) é literalmente uma nerd acadêmica, e para conclusão de seu curso, terá que refazer todo o projeto através de ideia inovadora, entender o orgasmo feminino e aplicar tais conceitos no plano prático de convivência. Todavia, Natalia não sabe lidar com o tema, para ela tudo é novo. E a introspectiva jovem terá o apoio de suas duas amigas, Monika (Sandra Drzymalska) e Paulina (Maria Sobocińska) para tentar encontrar uma solução para os seus dilemas, e quem sabe, lograr o êxito necessário através do aplicativo.

Apesar da comédia apostar nos embates sociais e em discursos ultrapassados mas existentes e quase todos trazidos a luz, o programa cumpre com a finalidade desejada – mesmo que sob a ótica previsibilidade.

“Sexify” respira o tema de maneira inteligente, desde a trilha sonora aos contornos fotográficos – o que podemos cravar o programa polonês como ligeiramente bem desenvolvido e produzido. As atuações do trio de protagonistas supracitadas é no mínimo interessante, apesar de certas condutas textuais equivocadas, muito em decorrência da falta de eficiência e pragmatismo.

Em tom contemporâneo, mas ainda burocrático, o programa “Sexify” notoriamente foi criado para despertar o interesse do publico sobre um tema que deveria ser natural, comum e diário. E se houver algum acerto – e há vários – muito se deve a cineasta e showrunner Alabrudzińska que aplica a série o discurso coeso e repleto de responsabilidade sobre essa tal necessidade fisiológica, que culmina em muitas contendas e felicidades, o sexo.

 

Classificação:

A primeira temporada da série polonesa “Sexify” possui 8 equilibrados episódios, que estão disponíveis através da Netflix.

By Amauri Alves

Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante (...) Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo