Os filmes do gênero pós-apocalíptico estão em alta! Antes, poucas eram as produções em que um vírus mortal invadiria a humanidade, ou um cometa arrasasse o planeta ou zumbis brotassem do chão, parece, e só parece, que o apelo ao imponderável ganhou espaço em nossos corações e nas telinhas. Pensando nessa hype, a Netflix nos trouxe “Awake”, um longa de Mark Raso (“Kodachrome”, “Tsuki”), onde o sono não tem vez.

Uma erupção solar provocou um vários problemas a humanidade, além de “fritar” os equipamentos eletrônicos, o sistema nervoso responsável pelo controle do sono também foi alterado, ou seja, em “Awake”, dormir é uma verdadeira dádiva. A bem da verdade, o longa tenta explicar as múltiplas implicações da falta de um bom cochilo na vida de um homem, dos transtornos dissociativos e cognitivos à loucura em si. Mas para toda regra, há exceções e a nossa protagonista Jill (Gina Rodriguez) possui uma filha Matilda (Ariana Greenblatt) que consegue descansar e a trama será costurada a partir daí.

A premissa parece ser simples, apesar de intrigante, e até bem desenvolvida, mas a história de Raso e Gregory Poirier não é bem tratada. É muito interessante abordar o clima de desespero em filmes dessa natureza, algo que infelizmente não foi gerado na alta, levando a trama para momentos ruins e razoáveis. Outro problema técnico refere-se ao fraco desenvolvimento dos personagens satélites, como foi o caso do filho mais velho de Jill, Noah (Lucius Hoyos).

Em filmes pós-apocalíptico, a trilha sonora é um dos pontos mais importantes na trama, com o subir e descer do volume, o espectador pode ou não ficar entusiasmado, aprofundado, preso ao filme. O que nos leva ao segundo passo, em longas dessa natureza, o suspense deve ser quase real, metafísico, palpável, já em “Awake”, da One Production, isso não ocorre. Por fim, a maquiagem apresentada é um verdadeiro desastre. Sinceramente, não parecia que ninguém estava sem dormir, creio que eles desconheçam a realidade de quem pratica plantões [kkk…].

Todavia, há também traços positivos em “Awake”. Além de bem dirigido, a atriz Rodriguez mostra o porque encontra-se numa pequena nata de artistas em ascensão. Firme e clara, tudo o que Gina toca tem sido ligeiramente bom ou agradável. Ela bem que tentou em “Awake”, assumindo bem o protagonismo, mas o filme não a ajudou significativamente.

 

Classificação

O longa “Awake” encontra-se exclusivamente no catálogo de streaming da Netflix.

By Amauri Alves

Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante (...) Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo