Sem os cinemas, a Sony Pictures fechou um acordo com a Netflix sobre o lançamento de algumas de suas produções no streaming, um ótimo exemplo do negócio é o longa “Paternidade”, estrelado por Kevin Hart (“Jumaji: Bem-vindo à selva”).

O filme conta a história de um jovem homem, de nome Matt, alçado como pai solo de maneira abrupta que compra o desafio pelo amor que vivera com sua falecida esposa, Liz (Deborah Ayorinde).

Comumente, a mulher desempenha múltiplas funções num lar – trabalha, cuida do lar, dos filhos, do marido -. E muito desses afazeres, é uma resposta a nossa sociedade ligeiramente patriarcal e preconceituosa no qual todos, isso mesmo, todos fomos formados. Mas, sinceramente, o que custaria para você, caro leitor homem, a divisão das atribuições numa casa? Bom, sobre a trama, a narrativa nos leva a experimentar os arrojos desse trabalho, o trabalho de pai, literalmente sozinho – colocando o espectador do sexo masculino no lugar das 11 milhões de brasileiras.

A proposta do diretor Paul Weitz era boa: Oportunizar os olhares sobre a conduta paterna, mas será que ele conseguiu externar isso no filme?

De certo modo, sim. Os desafios vislumbrados em “Paternidade”, da BRON Studios, foram solucionados grande parcela dos problemas – claro que ausência sentida noutros, foi duvidosa. Reflexo direto do roteiro de Dana Stevens, apesar de atual e emotivo ele não exalou perfeição. Principalmente quanto ao embate entre Matt e Marian (Alfre Woodard).

No filme, Hart conseguiu trazer todo drama necessário para o papel, a atuação foi interessante, atingindo o seu limite como astro, porém o problema esteve nos personagens satélites/secundários – faltou espontaneidade, e principalmente vida. Não sabemos se isto foi culpa deles, ou do roteiro. Aliás, não dá pra criar uma trama sem histórias de apoio.

A direção de Weitz sobre “Paternidade” foi ligeiramente boa, narrativamente evolutivo, dinâmico e de certo modo, assertivo, todavia o longa apresenta alguns erros capitais que projetam na trama as fragilidades argumentativas, retirando, portanto, uma classificação um pouco maior: O filme foi simples em momentos que deveria ser profundo, complexo.

Porém, vale à pena assistir, vale à pena acompanhar “Paternidade”, da Netflix. Seja sozinho, em casal ou em família, é interessante avaliar a abordagem sobre uma tema noutra perspectiva. E essa inversão é salutar, reforçando os desafios vividos pela mulher e compreender que todos detém o mesmo nível de responsabilidade num lar.

 

Classificação:

O longa estrelado por Kevin Hart e dirigido por Paul Weitz, “Paternidade” encontra-se no catálogo da Netflix.

By Amauri Alves

Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante (...) Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo