O novo desenho da Pixar, “Luca (2021)”, disponível no Disney Plus, representa a inocência. Um passeio nostálgico, de visual incrível. Um dos melhores retratos da infância já apresentados em animação nas telas. O valor da amizade, a criatividade, as descobertas, a insegurança, os medos, a confiança, os preconceitos e a superação. Como esses fatores afetam a vida de cada um, especialmente, na infância. Além de ser um mergulho na cultura italiana dos anos 50, com referências diretas e indiretas a clássicos do cinema como “A Princesa e o Plebeu (1953)”, “20.000 Léguas Submarinas (1954)” e “A Estrada da Vida (1954)”. Em algum momento, os pôsteres desses filmes aparecem em cena. Outros filmes servem de inspiração, como “A Doce Vida (1960)”, “Conta Comigo (1986)”, “Cinema Paradiso (1988)”, “A Pequena Sereia (1989)”, “Porco Rosso – O Último Herói Romântico’ (1992)” e “Procurando Nemo (2003)”.

Os dois protagonistas, Luca Paguro e Alberto Scorfano, são duas criaturas marinhas que se transformam em seres humanos ao ficarem longe da água. Luca, a princípio, é um pastor de peixes, no fundo do mar, com a missão dada pela família de manter a todos longe dos monstruosos seres humanos. Mas a curiosidade fala mais alto e leva Luca a superfície, quando ele descobre que pode se passar por humano, desde que se mantenha longe da água. Alberto ensina a Luca sobre esse dom e também transmite suas impressões, nem sempre acertadas, sobre a vida na superfície. A trama remete a animação A Pequena Sereia. É divertido acompanhar a jornada dos amigos que procuram aprender novas coisas enquanto precisam manter suas reais identidades em segredo, numa situação bem difícil porque qualquer contato com a água pode desmascarar a dupla.

Encantados com a motocicleta conhecida como lambreta, eles decidem conhecer o vilarejo litorâneo do interior da Itália, Portorosso, e descobrem um campeonato local. Uma vitória poderia ajudar a dupla a comprar a motocicleta que passar a representar para eles a plena liberdade. É quando surge a obstinada Giulia Marcovaldo, decidida a participar novamente do campeonato, também querendo a vitória. Os três são surpreendidos pelo arrogante Ercole Visconti. Um jovem que insiste em se manter todo ano na mesma competição infantil para não deixar de ter sua relevância. Ele vive da soberba de suas conquistas passadas e não admite que outro possa superar seus resultados. Vive desdenhando dos esforços de Giulia e recebe, com ódio, a notícia de que terá dois novos rivais na disputa.

Giulia decide unir esforços com Luca e Alberto, querendo derrotar Ercole, sendo auxiliados pelo pai de Giulia e um gato desconfiado dos visitantes para realizar treinos. O gato malandro só consegue expressar olhares acusatórios contra os garotos, sem poder ser compreendido. O tempo em que eles permanecem no vilarejo aumenta o risco deles serem desmascarados. Além de outros complicadores. O vilarejo Portorosso é repleto de pescadores, restaurantes e símbolos de como os humanos lidam com seres marinhos. O próprio pai de Giulia também vive da pesca. Pra piorar, a vida do jovem Luca é regida pelo medo, por conta dos ensinamentos que recebeu de seus pais quanto ao risco dos humanos para o povo do mar. Sem que eles saibam, os pais de Luca chegam na superfície e encontram o vilarejo, em busca do filho desaparecido e também se passam por humanos. Enquanto nasce um grande conflito entre Alberto e Luca, por ciúme da amizade com Giulia. Conflito agravado pela revelação da realidade deles e por um ato de covardia de Luca.

São muitas aventuras, brincadeiras, ensinamentos e descobertas como fundamentos de uma grande amizade, inspirada na vida real do próprio diretor (Enrico Casarosa) e seu amigo de infância, também chamado Alberto, que ele conheceu aos 12 anos de idade. O vilarejo fictício de Portorosso, também reflete a cidade litorânea italiana onde o diretor nasceu. O filme apresenta importantes reflexões contra o preconceito, sobre insistir em ficar preso a paradigmas que nem sempre refletem a realidade e nas escolhas que fazemos na vida. O único porém do filme encontra-se na atitude equivocada dos protagonistas, ao querer consolidar seu espaço no vilarejo, escolhendo ajudar um dos personagens a pegar mais peixes, mesmo os jovens sendo habitantes do mar. O roteiro esquece do dever deles de proteger os seres do mar. Mas como diria Luca, diante de situações não desejadas. – Silêncio, Bruno!!!

 

Classificação:

O longa animado da Pixar Animation, “Luca” encontra-se exclusivamente disponível no Disney Plus.

By Ronilson Araujo

As artes se unem para celebrar a grandiosidade da Sétima Arte e representar a vida, a 24 quadros por segundo. Por isso, o cinema é tão fascinante e reflete sua relevância diante de toda a Cultura Pop.