E lá vai a Marvel emplacar mais um sucesso nos cinemas. Dessa vez, com uma pandemia de “pano de fundo”, dá pra acreditar?! Pra entendermos melhor esse fenômeno, precisamos compreender, debater sobre “Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis”. Longa estrelado por Simu Liu, Awkafina Tony Leung que chegou as salas de exibição no início de setembro. Vâmo simbora?!

Para isso, é necessário compreender a bendita fórmula Marvel de se fazer cinema. Talvez, você, caro leitor seja de uma geração que tem evitado tomar refrigerante, principalmente Coca-Cola. Mas, nós, de uma geração anterior a sua, crescemos com a lenda de que a receita daquele “refri” está num cofre mega-engenhoso, de difícil acesso. E tudo isso para traduzir e explicar o sucesso dele. Essa louca comparação é a Marvel. Há críticos ferrenhos de seu modo de se fazer cinema, muitos, inclusive cineastas famosos, que tem arguido comentários quase vulgares sobre a Marvel, condenando o seu “modus operandi”. Afirmando de que tudo isso não se trata de cinema e sim, de um parque de diversão. Já eu, tento enxergar todos os argumentos, prós e contras, sobre esse “jeitinho” especial de provocar o publico da sétima arte. E confesso, que apesar dos muitos erros, a Disney merece ser feliz, afinal entregar um produto como o fã deseja, é o sonho molhado de qualquer empresário. E nisso, a Marvel é extremamente eficiente.

Falei, falei e falei e nada de “Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis” né?! Tá. Mas você entenderá. A nossa história começa em São Francisco. Os nossos heróis vivem uma vida simples, Shang (Simu Liu) e Kate (Awkafina), até um convite super-estranho de uma organização poderosa e milenar, “Os Dez Anéis” ao primeiro. Shang é um dos filhos de “O Mandarim” (Tony Leung) e como esperado, ele deve assumir o império do pai ao lado da irmã, Xialing (Meng’er Zhang). Nesse diapasão, forças ocultas tentam emergir das profundezas e criar um novo mundo.

E aqui entra a fórmula Marvel. A construção dos heróis, dos arquétipos dantescos, de nossa história é semelhante a outros filmes da franquia, como por exemplo, “Doutor Estranho (2016)”. Com os alívios cômicos pontuais, CGI “su generis”, trilha sonora inerente a produção, e sim, personagens que amamos dos quadrinhos. No entanto, fica claro a evolução, tornando o produto ainda melhor. E o nome dessa evolução atende pelo nome Destin Cretton (“The Glass Castle”). O filme é bem dirigido. Soma-se a isso, o carinho especial que David Callaham (“Mortal Kombat”) e Jim Starlin (“Batman – Morte em Família”) tiveram com o roteiro.

A Narrativa é deliciosa. Ela convida o espectador a imprimir conexões com a cultura oriental, sem deixar a proposta original de lado. O que podemos criticar aqui, é a escolha débil pelos múltiplos cenários em Chroma Key que deixa tudo falso, e nada elegante. Inclusive, tenho as minhas críticas ao CGI do filme. Mesmo assim, o filme é superior, quando comparamos a outras produções destinadas ao mercado chinês. Ou seja, o que a Disney não conseguiu com “Mulan“, em criar parâmetros positivos, foi feliz com “Shang-Chi”.

Outro ponto positivo na trama, é a figura empática da dupla Simu Liu Awkafina, funcionou. Na realidade, todo o elenco funciona. Os personagens secundários são legais e bem atuais, até o anti-herói de Leung. A complexidade, a construção das motivações são interessantes e até imperiosas. A crítica fica para o verdadeiro “mal” – presente do meio pro final, mas distante na trama – O Morador da Escuridão/Dweller-in-Darkness – que deve ser melhor explorado nos próximos filmes, e na segunda temporada de “Loki”.

A bem da verdade, a Marvel tentou se reinventar, mesmo que minimamente em “Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis”, porém não abriu mão de sua fórmula peculiar de fazer cinema. Funciona sim, mas precisa quebrar “correntes” para não saturar ao longo do prazo. Confesso está ansioso por esta nova fase da Marvel.

 

Classificação

O filme Marvel, “Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis” encontra-se nos cinemas.

By Amauri Alves

Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante (...) Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo

One thought on “Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis (2021) | Crítica”

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