Quando surgiu em 1978, Michael Myers de imediato foi para o hall dos grandes vilões de Hollywood pela forma crua e visceral que John Carpenter soube trabalhar com maestria a complexidade de um monstro que além de ser uma força da natureza não precisava de nenhuma explicação para justificar sua existência. Fugindo de vários percalços e erros, quando a continuação direta do clássico de 78 surgiu em 2018 – negando todos os inúmeros antecessores que apareceram pelo caminho – foi algo preciso e que respeitava tudo que o seu idealizador pôs em tela.

A continuação de Halloween, de 2018, surge cheia de perguntas que parecem não importar quais sejam as respostas. A dimensão que o filme toma diante de seu antecessor é notável já no começo quando as mortes causadas por Myers em menos de 20 minutos são superiores (em números) ao filme anterior junto com o primogênito gerado por Carpenter em meados dos anos 70. Não é excessivo porque a história contada aqui permite que existam esses excessos, na verdade até pedem por eles.

O que o diretor David Gordon Green e seus roteiristas tentam fazer aqui é dar dimensão ao mal. Seja em uma rua, em algumas casas ou até mesmo numa cidade toda: quando o mal onipresente se torna de conhecimento geral ele vai ser visto onde não está e vai causar reações onde nem sequer tocou.

O que antes era feito para perturbar o telespectador, agora aflige todos. Como uma doença que se espalha pelo ar todos estão vendo o mal em qualquer sombra, em qualquer reflexo.

As cenas coletivas do filme parecem fazer homenagem aos filmes dos anos 50 sobre a paranóia comunistas e são bastante caricatas e excessivas, mas parecem estar dispostas a abraçar toda a galhofa para irem de encontro ao epílogo onde o filme nos entrega a forma definitiva do nosso antagonista.

Myers é uma força da natureza. Quando Carpenter o fez foi pensando numa forma (“The Shape”), e se no primeiro filme o medo vinha pelo desconhecido, no de 2018 era sobre a complexidade de entendimento do que estava na nossa frente para que nesse filme de 2021 seja o medo simplesmente pela brutalidade que o mal pode tomar quando não é certamente controlado.

Mesmo com os inúmeros tiros e pauladas que Myers toma não causam estranheza quando o vilão levanta e destroça inúmeras pessoas de uma vez. Ele é o mal, e enquanto houver medo o mal sempre prevalecerá.

 

Classificação:

David Gordon Green, escritor e diretor do primeiro filme, retorna para a sequência. “Halloween Kills: O Terror Continua”, que encontra-se nos cinemas. Enquanto a conclusão da trilogia, “Halloween Ends”, chegará em 25 de outubro de 2022.