Percebemos que “O Culpado” é um cinema de fala quando já perto da sua conclusão apenas algumas palavras que são ditas ao nosso protagonista muda totalmente nossa percepção do que estava sendo proposto pelo enredo. O que era pra ser um cinema de suspense na verdade se torna um cinema semiótico, que vai se transfigurando a cada discurso e tomando formas jamais esperadas quando se começa a sessão.

Não tem nada de novo aqui, e parece que Antoine Fuqua está totalmente ciente disso, não se perdendo na necessidade de expor inventividade. Sua narrativa por mais que pareça moderna – pelas limitações que escolhe ter – é na verdade bem convencional e conservadora quando segue um plano linear e cauteloso de progressão.

Por ser um filme econômico ele acaba se tornando eficiente por causa de suas limitações, mas erra quando tenta burlar algumas convenções estabelecidas para soar dinâmico ou ser mais do que está predestinado a ser.

Quem merece todos os méritos aqui é Jake Gyllenhaal. Sua atuação coberta de camadas e com um ar misterioso (nunca realmente sabemos o que aconteceu com ele) torna-se mais forte com o descontrole que seu personagem tem diante da situação extrema que se encontra. Não precisamos saber o que exatamente o que ele fez porque da ira não se pode ter nada de bom.

A conclusão é excessiva por ser mais expositiva que o necessário, mas não anula a experiência envolvente que é esse filme.

 

Classificação: 

Sob o comando de Antoine Fuqua (“Sete Homens e um Destino”; “O Protetor”), e roteiro de Nic Pizzolatto (“True Detective”), “O Culpado” encontra-se no catálogo da Netflix.