A despretensiosa, frenética e bem construída minissérie dinamarquesa “O Homem das Castanhas” chegou à Netflix sem alardes e pompas. Respeitando o seu limite orçamentário, mesmo sem tanta presunção ou expectativa sequer, o programa da Sam Productions (“Ragnorak”) pautou-se pela boa narrativa, personagens interessantes e cortes precisos de sua direção, demonstrando, portanto, um ótima assertividade técnica.

Uma nova série de crimes hediondos está sacudindo o Departamento de Homicídios Copenhage. Um excêntrico homem está assassinando e mutilando mulheres, deixando para trás bonecos feitos de castanhas com uma marca bastante peculiar, as digitais de uma garotinha dada como morta, há quase 1 ano. E este caso será atribuído a dois policiais destemidos, mas deixados em dor, Naia Thulin (Danica Curcic) e Mark Hess (Mikkel Boe Følsgaard). Ambos enfrentaram inúmeros desafios, principalmente os conflitos internos perante o desconhecido e sim, o imponderável.

Habitualmente, o trágico sempre alcança maior valia entre o imaginário popular do que o comum, o drama do dia-a-dia. Logo, contar histórias de terror, suspense e crimes, é mais “interessante” que falar sobre paixões e romances shakespearianos. E nessa pisada, “O Homem das Castanhas” se encaixa perfeitamente bem. Utilizando-se de cortes delicados, precisos e até diferentes, peculiares, sob a égide de uma fotografia sombria, a minissérie encanta e conta a história certa ao espectador que ama o gênero.

Alinhado ao ótimo texto, sempre intrigante, aproveitando-se bem do mistério e repleto de personagens interessantes, apesar de nem sempre contar com boas atuações, o programa Netflix acerta nos pilares básicos do que classificamos como uma obra, em algo bom.

No entanto, “O Homem das Castanhas” possui sim, as suas mazelas em categorias técnicas. Que, em via de regra, não dariam tanto trabalho assim, como a trilha sonora, mixagem e edição de som. Certamente faltou equilíbrio entre alguns pontos – perdendo-se em momentos tensos e sem esperança -.

Com alguns deslizes – não o suficiente para tirar o brilho da série – mas de uma narrativa noir bastante legal, flexível e tangível, “O Homem das Castanhas” surpreende o público, mesmo optando por coisas simples. O novo produto da Netflix é redondinho e entrega ao espectador o mais puro entretenimento, em meio ao suspense leal, ótimos cortes em sua direção e tramas dignos de um bom texto policial. Provocador e seguro em sua premissa, “O Homem das Castanhas” faz valer as horas gastas com tal produto.

 

Classificação:

A minissérie dinamarquesa, “O Homem das Castanhas” possui 6 (seis) episódios e encontra-se disponível na Netflix.

By Amauri Alves

Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante (...) Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo