Por ser visto como urgência, o cinema rotulado como denunciador de mazelas sociais acaba adentrando em terrenos muitas vezes limitadores quando se torna apenas objetos de informação e que poucas vezes conseguem desenvolver uma percepção plena de entretenimento que quase toda obra de arte tem que ter.

É importante se atentar a palavra ‘quase’ dita no último parágrafo pois é nela que surge o que talvez possa definir bem o que 7 Prisioneiros realmente representa em sua estrutura e no que tenta contar: uma quase experiência.

Seu diretor vinha de uma boa experiência do cinema de fluxo de personagem que ganhou força nos últimos anos no país. Socrates é, acima de tudo, um filme sobre o deixar levar cinematográfico onde a plateia simplesmente vai seguindo pelos caminhos que a direção quer nos levar sem questionar, só recebendo.

Parte do que é proposto aqui em 7 Prisioneiros é exatamente essa tentativa – em vão, para deixar logo tudo descomplicado – anterior do diretor em fazer um fluxo de desenvolvimentos. Mas tudo é falho por ser um filme que além de uma narrativa que tenta ser crua nos momentos mais inoportunos também não se aprofunda nas incontáveis coisas que ele ousa comentar.

Não que todo cinema tem que explicar ou desenvolver tudo, mas a partir do momento que se insere algo na tela é imprescritível que faça algum sentido ou que a falta de sentido seja justificada por algo que consiga se sobressair.

Não tem só mediocridade aqui. Christian Malheiros, que já havia trabalhado com o diretor em Sócrates, mostra a força que possui em tela ainda mais intensificada com um sempre excelente Rodrigo Santoro. Eles são os fios condutores que em alguns momentos parecem justificar o filme.

Mas o que sobra disso tudo? Um ótimo filme de desenvolvimento de personagem que está preso dentro de um cinema de urgência que nada funciona como deveria e quem clama por socorro é quem está assistindo.

 

Classificação:

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