Com trabalhos em ficção (“Jonas”) e documentário (“Alvorada”), a cineasta Lô Politi, apresenta seu terceiro longa, SOL, no Festival do Rio, onde foi selecionado para a mostra competitiva Premier Brasil 2021, que acontece em sessões presenciais entre 9 e 19 de dezembro. Abordando assuntos como relações familiares, abandono e reencontros, a cineasta define o filme como universal. “Todo mundo tem uma história com o pai, com o filho, história de família”, explica. É nessa questão que o filme encontra sua força: os laços entre pais e filhos, que se afrouxam e reatam.

Depois de ganhar o Prêmio Especial do Júri em 2015, no Festival do Rio, com “Jonas”, a cineasta confessa estar bastante animada em voltar à competição. “É uma honra ter meu filme exibido no Festival do Rio, um Festival que tão bem acolhe minha obra e o cinema nacional como um todo. A mostra competitiva é uma vitrine do melhor da produção nacional recente, e fico muito feliz de ver SOL exibido nas telas do cinema.”

De forma potente e poética, a diretora, que também assina o roteiro, coloca em cena três gerações de atores: o brasiliense Rômulo Braga (“Valentina”), o paraibano Everaldo Pontes (“Noites de Alface”) e a menina baiana Malu Landim.

O filme fez sua estreia na 45a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, e chegará ao circuito cinematográfico, no início de 2022 com distribuição da Paris Filmes. A trama traz a história de Theo (Braga), um homem tentando reatar conexões de sua vida. Depois de um ano sem a ver, ele está novamente com sua filha pequena, Duda (a estreante Malu Landim), mas o passado bate à sua porta. Telefonemas insistentes de uma desconhecida avisam que seu pai, Theodoro (Pontes), está em estado delicado num hospital, numa pequena cidade do interior da Bahia.

SOL descortina aos poucos a relação tumultuada entre Theo e Theodoro, que não se veem há muitos anos. O rapaz, em companhia da filha, se sente obrigado a viajar para se despedir do pai, mas uma surpresa acontece: a saúde do homem melhora, e, agora, que o pai não tem mais onde morar – ele vendera a casa –, o filho terá de encontrar uma saída para isso.

A produtora Eliane Ferreira (“Cine Marrocos”, “Vermelho Russo”), da Muiraquitã Filmes, destaca que o longa é inovador ao trazer um olhar feminino ao universo masculino. “Até pouco tempo, eram homens diretores que contavam histórias de mulheres. E ao final, quem traz a possibilidade de que o homem entre em contato com suas emoções é uma mulher, quer dizer, uma menina. É um filme único por sua forma de revelar o que a separação também provoca no homem, que encara também a dificuldade de retomar a própria vida.”.

Como cenário, a diretora queria uma Bahia que fugisse das grandes paisagens turísticas, e, para isso, trabalhou com o diretor de fotografia pernambucano Breno Cesar (“Casa”). “Ele vem do sertão profundo de Pernambuco. Então, esta é uma paisagem muito natural para ele, que nunca viu as locações com olhos estrangeiros, com uma estética estilizada. Isso foi muito importante. A nossa parceria foi espetacular.” E, embora rodado na Bahia, esta é uma produção paulista.

Com o elenco, não foi diferente. “A gente ensaiou muito, antes, para encontrar o tom. Mas quando se chega no set preparado, a gente fica aberto ao que o set nos dá. E é assim que a mágica acontece. Há muitas cenas do filme que foram assim.”

Politi conta que um dos elementos-chave do filme é o silêncio. Theodoro praticamente não fala, enquanto Theo fala pouco. Já Duda, como uma criança curiosa e inteligente, fala bastante, mas precisa lidar com o não-dito dos adultos. “Escolher um protagonista que fala pouco ou quase não fala, é duro. Rômulo traz naturalmente uma introspecção que é poderosa. Ele dá ao personagem a natureza dos conflitos internos e a gente entende isso, entende os motivos do personagem. Sem contar que a troca dele com o Everaldo e com a Malu foi incrível. Ele foi estabelecendo uma relação com eles muito interessante, pois também precisava se isolar, para o bem da história, e se aproximava na hora certa. Ele tem uma inteligência emocional muito rara.”

Sinopse: “Um pai recém-separado, que não consegue se reconectar com a filha de dez anos, é obrigado a viajar com ela para o interior do País em busca do próprio pai que o abandonou quando criança e agora quer morrer. O convívio forçado com o pai que ele odeia e a imediata conexão de sua filha com o avô testa todos os seus limites, mas lhe dá a chance de se reaproximar da filha“.

Veja também, outras críticas nossas:

O longa nacional será distribuído pela Paris Filmes tem previsão de lançamento para o final de 2022, nos cinemas.

By Amauri Alves

Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante (...) Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo