Musical. Juventude extraviada. Gatilhos. Armadilhas textuais.

As palavras podem falhar, como bem ilustra uma das muitas canções espalhadas no novo filme da Universal Pictures ou podem expressar sentimentos profundos de pesar, dor, amor, simpatia, empatia, esperança. Enfim, quando bem utilizadas, as palavras podem alcançar a vastidão do universo, atuando como moderador do que é real, ou do fictício. Querido Evan Hansen é um bom exemplo disso. Advindo dos palcos da Broadway, a peça ganha um novo modal como adaptação, escolhe bem as palavras para expressar as suas ideias, mas esquece do lado industrial da coisa, de que nem tudo dá pra copiar de lá pra cá. E isso, iremos discorrer hoje aqui.

A história não é um segredo para ninguém. Querido Evan Hansen está estampado em livro de mesmo nome, nas demais redes sociais e sim, agora em filme. O que acho interessante nessa premissa, é o quanto esse segmento no drama tem crescido como espetáculo. O suicídio, ou o que leva até ele, tem sido tema recorrente de boa parte das produções e o debate é importante, até para compreender melhor o assunto e tentarmos evita-los em nossa sociedade. No entanto, quase todas as produções escolhem os caminhos mais fáceis quanto a abordagem – sempre são os mesmos motivos – o que perde toda a importância do tema. O filme da Universal evitou essa armadilha textual, mas flertou o tempo todo com a mesmice desse subgênero.

O musical possui sim suas falhas quanto a narrativa empregada e certas escolhas criativas e momentos específicos na inserção das musicas, mas no todo, a produção sob o comando Stephen Chbosky é interessante, existe certa consistência narrativa. O diretor conseguiu construir um dado interesse no espectador sobre a trama que narra a história de um jovem perdido em sua própria mente, de nome Evan (Ben Platt).

O elenco de Querido Evan Hansen é bem harmônico no geral, exceto pelo próprio Platt (“The Politician”). Alguns anos atrás, o astro fez a peça que dá nome ao filme, e a produção achou por bem fazê-lo revisitar o personagem agora – apoiado numa falsa solução simples -, o que não caiu bem. Sentíamos ele confortável demais no papel, mas repetindo a atuação do teatro. Para as telonas, o trabalho deve ser outro – E admito isso, pois gosto do Platt, mas repito, não caiu bem.

Mesmo possuindo lá as suas mazelas, Querido Evan Hansen termina com um saldo positivo. As premissas estabelecidas foram bem construídas, desenvolvidas e concluídas. As musicas são brilhantemente suaves e profundas, concomitantemente – o que revela o ótimo trabalho de Benj Pasek, Justin Paul e Dan Romer, equipe que esteve em La La Land e; O Rei do Show. A crítica fica apenas para a escolha dos momentos delas – após perder alguém, não é concebível haver certa comemoração (entendedores, entenderão). Com uma fotografia OK!, e boa edição, o filme é, no mínimo, bom – Não melhor que a peça da Broadway. Diante disso, ainda indicamos ele a você. Contudo, tenha muito cuidado com os múltiplos gatilhos presentes no texto.

 

Classificação:

Leia algumas críticas nossas:

O filme da Universal Pictures, Querido Evan Hansen estreia hoje (11) nos cinemas.

By Amauri Alves

Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante (...) Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo

One thought on “Querido Evan Hansen (2021) | Crítica”

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