De todos os cineastas americanos, o que mais se tornou americano com o passar dos anos foi Cassavetes. Mas o cineasta da América de verdade, não a que nos vendem agora. Cassavetes sempre foi contracultura antes até desse conceito existir.Seu primeiro longa já nasceu anarco com o conceito de ser feito com doações de pessoas que estavam insatisfeitas com o cinema hollywoodiano feito no final dos anos 50. Disso nasceu Shadows, o primeiro grande filme do cinema independente americano. Tratando de temas delicados já naquela época como o Racismo, o filme não teve tanto sucesso na sua terra natal mas foi alavancado a clássico instantâneo na Europa, principalmente no Festival de Veneza.

Com o sucesso do filme fora de sua terra de origem, não demorou muito para que Cassavetes fosse visto com outros olhos pelos estúdios americanos que logo arrumaram duas produções dentro do sistema para o diretor. E se mostrando indomável, Cassavetes entregou dois filmes que mostram na sua cerne a dificuldade de ser moldável. A Canção da Esperança e Minha Esperança é Você não são os filmes mais inspirados do diretor e ele percebendo isso tratou logo de se distanciar totalmente desse sistema que ia contra tudo que ele acreditava sobre fazer cinema.

Dessa desilusão veio, talvez, seu filme mais intenso e prestigiado. Faces surge do descontentamento, e isso fica visível em cada cena do longa. Feito na sua casa, com sua esposa e um grupo fiel de amigos que o seguiram até sua última obra, o filme se tornou sucesso imediato em todo o mundo e provou que Cassavetes não precisa de grandes estúdios.

Seguindo a mesma logística de não depender de grandes produtoras para lançar seus filmes, Cassavetes continuou sua forma quase que artesanal de entregar obras (quase sempre hipotecando sua casa ou arrumando incentivo financeiro dos mais improváveis locais como um sheik que deu 1 milhão de dólares para que Husbands fosse feito), chegamos então a virada total da carreira do diretor com sua obra mais lembrada e significativa: Uma Mulher Sob Influência.

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