Sempre adepto a um cinema liberto e longe de qualquer travas do sistema hollywoodiano, é comum ouvir histórias onde Cassavetes vendeu coisas pessoais e até hipotecou a casa para produzir algum filme. Sua esposa e musa cinematográfica, Gena Rowlands, sempre conta as vezes que foi pega de surpresa ao saber algo que o marido vendeu para que um filme fosse finalizado.

Conhecido inicialmente como ator do que como diretor, Cassavetes nunca largou sua carreira na atuação porque foi nela que conseguiu o dinheiro para a produção da maioria dos seus filmes. Desde as séries, indo de participações ou até como ator principal, ele também é lembrado como o marido que vende a alma pro diabo de O Bebê de Rosemary e o condenado de Os Doze Condenados que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Ator Coadjuvante.

Não era só a obsessão por fazer filmes que definia John Cassavetes. Boêmio incorrigível, praticamente todos os seus filmes os personagens lidam com problemas envolvendo álcool. Esse vício que lhe valeu a vida – o diretor morreu de cirrose hepática devido ao abuso de anos da substância –  é o catalisador de pelo menos metade de suas obras.

Sua última obra legítima, Amantes, é um verdadeiro testamento cinematográfico. Tudo que Cassavetes fez está sintetizado em alta voltagem nas mais de 2 horas de duração da fita. Em muitos momentos até parece que estamos diante de cinebiografia do diretor que junto de sua mulher entregam uma catarse de atuação.

John Cassavetes nos deixou em 3 de fevereiro de 1989. Foi cedo, aos 59 anos. Mas nos deixou um legado de como fazer arte com o coração e sem se desviar do que se acredita.

Das várias belas frases que ele propagou no mundo, gosto na que ele diz que “temos um pouco mais de 2 horas para mudar a vida das pessoas“. E com toda certeza ele mudou muitas vezes na dezena de 2 horas que ele jogou no mundo.

 

Cassavetes vive!

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