Em um tom emocionalmente mais maduro e se desfazendo do MCU, o Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa chega aos cinemas. Por tratar-se de um verdadeiro tributo alegórico aos fãs do gênero que mais arrecada nas bilheterias pelo mundo atualmente, o longa da Sony Pictures tenta preencher os vários requisitos do “cinema de massa” e em vários momentos, ele consegue com sensatez e eficiência. No entanto, é preciso compreender que avaliado como produto artístico para uma Academia, ele falha nos três atos. E isso, iremos discorrer aqui.

A hype é real! Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa entrega tudo o que o fandom, o amante dos quadrinhos deseja: Entretenimento com um “Q” de validação social. Apoiado em toda a simbologia existente na indústria cinematográfica do momento, Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa faz o espectador médio viver uma turbilhão de emoções nostálgicas com mesclas atuais que é traduzido numa expressão bastante popular: – “Valeu cada centavo empregado“. Logo será quase que impossível não vermos pessoas alçando tal produção com algo “espetacular”, “pensado fora da caixinha”; mas a realidade é totalmente diferente e o futuro para franquia parece sombrio, já que será entregue aos desenvolvedores de Venom e ao universo aparentemente caótico, criado pela Sony.

O filme em si, é bem divertido. Peter Parker (Tom Holland) terá que lidar com as consequências de Longe de Casa, em que a sua identidade foi revelada. Obviamente, nem todos são fãs do herói – vide o implacável jornalista J. Jonah Jameson (J K Simmons) – e essa descoberta pode trazer ações danosas a ele e aos mais próximos. É justamente aí, que entra a figura do Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch). Através de solicitação do amigo da vizinhança, o mago tentará conjurar um poder perigoso: TODOS ESQUECEREM QUEM É O PETER PARKER. Pelo trailer, já vimos que isso não dará certo e tão logo será abraçado o multiverso aracnídeo.

A volta dos astros que no passado viveram personagens em filmes do Homem-Aranha é outra realidade comemorada pelo público. Entre gritos, choros e emoções, sobram uma confusão dissociativa e previsível da trama – fazer cinema nos atuais dias é no mínimo desconcertante, sempre tem um maldito paparazzi que tira o fator surpresa do público -. E mesmo diante dessa aglomeração de personalidades, é impossível não tirar o chapéu para Willem Dafoe e Alfred Molina, reprisando Duende Verde e Dr. Octavius Octopus respectivamente. Na outra ponta, temos a presença de Andrew Garfield e Tobey Maguire, que ensejam todo e qualquer sonho molhado do “nerd de plantão”. Esses encaixes foram bons, mas não soaram perfeitos – Temos que deixar os nossos sentimentos de lado e sim, dá uma resposta ao lado conceitual e técnico da coisa.

Quanto a tríade original, Holland, Zendaya e Jacob Batalon estiveram em sua melhor fase. O primeiro teve a sua melhor atuação frente ao personagem, apoiado gentilmente pela segunda. A carga emocional e dramática estiveram bem encaixadas entre uma cena e outra, e bem alinhada com os alívios cômicos do terceiro. Mas, tudo isso representou um apanhado de informações jogadas e sem tempo para uma análise profunda, e perspectiva sobre os fatos.

Com graves problemas textuais, Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa vai te apresentar inúmeros furos no roteiro, com destaque para a premissa sobre a magia empregada pelo Doutor Estranho do início ao fim. A dupla Erik Sommers e Chris McKenna tentaram cumprir com os desejos dos “grandões” do estúdio, mas notadamente é observado a falta de conectivos entre os atos. Já Jon Watts repetiu o bom trabalho à frente da franquia, mas esbarrou na quantidade informações a distribuir. Outro fato negativo a ser observado foi o CGI, que em alguns momentos deixou a cena “estranha”. E apesar de todos esses percalços, este ainda é o melhor filme da franquia, pois houve uma preocupação de “Ousar”, em “Sair do Comum” e isso deve ser valorizado, mas pedimos que se faça tudo com qualidade.

O título não é por acaso. Analiticamente, essa foi a despedida do amado herói das mãos brilhantes do Marvel Studios (Queira você admitir ou não), o que é ligeiramente preocupante, pois sabemos como a Sony tem lhe dado com o seu novo e inusitado universo. Filho de dois mundos, de pais separados que não se dão bem, o herói mais amado dos quadrinhos da Marvel Comics pode ser arrastado para o olho do furacão e se perder na tempestade. E só o tempo pode provar se estou errado ou não, e espero estar. O filme, como propriedade individual respondeu a sua premissa básica, mas olhando para todo o universo, pode ser um grande entrave. Entrave esse que se estende pelas demais obras do MCU, como Eternos.

 

Classificação:

Leia algumas críticas nossas:

O longa da Sony Pictures, Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa encontra-se em cartaz nos cinemas.

By Amauri Alves

Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante (...) Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo

5 thoughts on “Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa (2021) | Crítica”

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