Quase vinte anos após a conclusão – até então – da saga, Matrix Resurrections se mostra uma agradável surpresa. É um filme consciente de que não precisava existir e não tem medo de falar sobre isso.

A história traz o personagem de Keanu Reeves como Thomas Anderson, um desenvolvedor de jogos morando em São Francisco, premiado pela sua criação, a trilogia de games “The Matrix”. Mergulhando, talvez um pouco fundo demais em alguns momentos, na metalinguagem, o filme não tenta se conter na hora de fazer comentários sobre si mesmo. Em determinado momento, o chefe de Neo (Jonathan Groff) comenta que “a nossa querida empresa-mãe, Warner Bros., decidiu que farão uma sequência para a trilogia”, com ou sem a ajuda dos criadores.

Mostrando em diversos momentos imagens dos primeiros filmes, Matrix Resurrections é uma sequência que não se envergonha de se comportar como tal. Há uma sensação de familiaridade no ar, embora muitas coisas estejam diferentes. A mitologia do universo é desenvolvida, ainda que de forma limitada. Há novos lugares, novos personagens, uma nova dinâmica entre humanos e máquinas após o sacrifício de Neo em Matrix Revolutions, é claro, com algo especial dedicado a personagem de Trinity (Carrie-Anne Moss).

A própria Matrix mudou. Paralelamente ao nosso mundo, onde a vanguarda da tecnologia há muito deixou para trás os monitores de tubo e terminais esverdeados, esta versão da matrix se apresenta mais “limpa”, os tons de verde onipresentes na trilogia original são bem mais discretos aqui e a cidade de São Francisco parece mais agradável do que o mar de concreto dos primeiros filmes.

Mas, além da mudança de tom e das eventuais exibições metalinguísticas, o filme não parece tomar muitos riscos. E as cenas de ação, embora divirtam, não trazem nada de novo para a mesa.

Certamente não é um clássico como foi o filme de 1999. É divertido no que se propõe, oferece questionamentos filosóficos, como é esperado, e consegue ser melhor do que as duas entradas anteriores da trilogia. Está acima de um blockbuster comum, mas abaixo do filme original, o que não é, considerando tudo, uma coisa ruim.

Uma agradável surpresa, de fato.

 

Classificação

Leia algumas críticas nossas:

O longa da Warner Bros. estreia em 23 de dezembro, exclusivamente nos cinemas.

Esse texto foi escrito pelo nosso colaborador, Filipe Gonçalves.