Se basear sempre em homenagens pode ser a ascensão ou o declínio de todos aqueles que ousam fazer arte. Lin-Manuel Miranda não faz diretamente um cinema que vangloria ou endeusa diretamente algo. O que acontece muitas vezes em suas obras (isso englobando seu teatro e seu cinema) é que está tudo sendo direcionado às referências que ele tem e acaba sendo preciso ter para sua apreciação.

Tick, Tick… Boom é interessante porque acaba sendo um bom exemplo de como adaptar uma peça de teatro sem se prender as linguagens distintas – que muitos refletem como semelhantes – que as duas artes (teatro e cinema) possuem.

Jonathan Larson é sem dúvidas a persona mais importante do teatro americano dos últimos anos. Não só pela potência de sua obra Rent, mas também pela narrativa de sua vida que acaba conversando diretamente com quem sonha fazer arte ou a faz sem nenhum privilégio e enfrenta dificuldades que testam sua persistência diante de dificuldades.

O que a direção de Miranda tem e merece ser exaltada ao máximo é como ela consegue fazer uma narrativa que além de ágil em nenhum momento parece subestimar o público. Não se trata de um filme exclusivo para quem aprecia a obra do autor homenageado, como também não fica preso no didatismo de explicar desnecessariamente pois no cinema basta mostrar o que você quer dizer.

A sutileza de Tick, Tick… Boom está em não querer ser além do que é, como também não extrapolar no absurdo. A vida é tão louca e perdida que não tem nada mais teatral que retratar a realidade de uma triste existência.

Um belo filme.

 

Classificação:

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O musical estrelado por Andrew Garfield, Vanessa Hudgens, Bradley Whitford e Alexandra Shipp, Tick, Tick… Boom encontra-se exclusivamente na Netflix.

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