Arquivo 81/Netflix - Reprodução

O terror brinca com os medos que naturalmente cercam a humanidade, perigos de uma outra terra, abismos sombrios, figuras inenarráveis, seres de outros mundos e muito mais. E isso tudo graças a sua qualidade sinestésica quase que excruciante. Logo, desenvolvê-lo, deixar no ponto ideal é algo extremamente difícil. Você precisará de uma história aterrorizante, uma trilha sonora angustiante e é claro, os efeitos necessários para admitir o sentimento na trama e a série Netflix, inspirada no podcast de terror, Arquivo 81 segue ligeiramente bem a cartilha.

Viagem no tempo. Universos Paralelos. Demônios. Sociedade Macabra. Enfim, esse parece o combo perfeito para a prática do mal em Arquivo 81. Na cidade de Nova Iorque, o arquivista Dan Turner (Mamoudou Athie) é contratado para restaurar fitas de vídeo que foram danificadas por fogo. Ao recuperar o material, o jovem percebe que há um mistério perturbador envolvendo a autora dos vídeos, Melody Pendras (Dina Shihabi) e um culto macabro, que envolve rituais de sacrifícios e uma entidade. O que o próprio Turner não sabia é que essa história poderia levar a momentos dolorosos de seu passado.

A trama funciona na base do OK!. Perfeita!? Longe disso… Digamos que a sua simplicidade leva a previsibilidade, o que de certo modo, pode incomodar o crítico e o espectador comum. O roteiro de Arquivo 81 é o maior problema da série. Lenta e longa no começo, impactante e resolutiva no final. Essa falta de equilíbrio narrativo pode trazer uma inquietação desnecessária. Porém, a mesma série reúne bem os elementos do terror – o que a torna acima do comum.

O suspense em Arquivo 81 é quase ensurdecedor, palpável e sim, atua de maneira contínua. A trama desenvolvida por Rebecca Sonnenshine (“The Boys”) e James Wan (“Invocação do Mal”) tem um harmônico jogo de envolvimento com o publico baseado nos mistérios quase que recorrentes. E nisso, sentimos a experiência da dupla em campo. Soma-se a direção intuitiva e inteligente de episódio por episódio dos diretores. Creio que se houver alguns bons ajustes, estaremos diante de uma bela obra.

Quanto ao elenco, Arquivo 81 catapulta os jovens Athie e Shihabi a ótimas posições, eles funcionam e entregam bem as suas atuações. No entanto, nem todos artistas do elenco coadjuvante se sobressaem. E essa desarmonia é nítida, como por exemplo temos o astro Martin Donovan (“O Preço do Silêncio”) que tem um ótimo começo, mas por um erro do roteiro é levado ao “estranho” no final.

No mais, Arquivo 81 é no mínimo promissora. Com ganchos interessantes, o que leva a uma boa perspectiva, o programa sob o comando de Sonnenshine tenta encontrar espaço entre as famigeradas Stranger Things e; Dark, dois universos de sucesso da Netflix. No tocante ao terror, com mesclas de suspense, me parece que já nasceu pronta. É nítido o trabalho de Wan – atual senhor do terror cinematográfico. Será que série pode surpreender no futuro próximo?

Classificação:

Leia as nossas críticas:

Dos produtores executivos Rebecca Sonnenshine e James Wan, a primeira temporada de Arquivo 81 possui 8 episódios e encontra-se exclusivamente na Netflix.

By Amauri Alves

Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante (...) Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo

3 thoughts on “Arquivo 81 – 1ª temporada (2022) | Crítica”

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