Quem um dia irá dizer que não existe razão

Nas coisas feitas pelo coração

É impossível começar o texto, ou fazer qualquer tipo de leitura da nova produção Downtown Filmes sem trazer a existência a música eternizada na voz de Renato Russo, Eduardo e Mônica. Sinestesia à parte, a adaptação clássica da história cantada ganhará espaço exclusivamente nos cinemas, a partir do dia 20. E não tem como não se apaixonar por essa versão de René Sampaio que extraiu os melhores sentimentos desse belo soneto.

A nossa história começa com algo próximo a canção e quando falo isso, falo que você, caro leitor, não verá repetições de conceitos, ou atos a parte como foi para Faroeste Caboclo (2013), digamos que essa nova produção carregou o amadurecimento necessário para existir, achou a evolução dentro do próprio sistema – o que é positivo. Sampaio faz bem o uso da liberdade conceitual, respeitando a atmosfera e criando um novo universo dentro do filme. Trocando em miúdos, ele fez de sua produção não um fim, mas um meio, um meio profundo, existencial e com várias nuances. Sampaio conseguiu ainda mais humanizar a canção e isso tudo dentro de um período histórico longe e perto de nós. Ou seja, Eduardo e Mônica é uma releitura contemporânea e clássica da obra do Legião Urbana, repleto de emoções e sonoridade.

Claro que a premissa é a esperada, o amor de uma mulher mais velha – Mônica – e jovem garoto – Eduardo -. René Sampaio conseguiu traduzir as mazelas, os preconceitos e sim, o amor bem construído da canção no longa. Mas pensando de maneira aleatória aqui, haveria tanto debate se fosse o contrário, se fosse um homem o mais velho, e a mulher mais nova? Claro que não! Sigamos… O cineasta costurou a trama do filme a música de maneira sólida, fofa e eficaz. E isso fica ainda melhor com a boa química do casal protagonista, Gabriel Leone e Alice Braga. O primeiro demonstrou maturidade, técnica e o principal, compreender quem está vivendo, já Braga demonstrou a genialidade inerente a sua pessoa – qualidade dela aqui é um pequeno exemplo da bela carreira que desempenha no mercado internacional.

O filme brasileiro, Eduardo e Mônica é legal de se acompanhar, envolvente, delicado, bem construído e com ótimas atuações – refiro-me também aos personagens satélites -. E mesmo apresentado alguns erros em sua estrutura como produto cinematográfico, tudo isso é deixado de lado pela boa história contada a partir do roteiro de Matheus Souza em parceria com Claudia Souto, Michele Frantz e Jéssica Candal.

Tomando Eduardo e Mônica como um bom exemplo do atual momento do cinema nacional, podemos arguir e projetar um futuro vistoso e reconfortante para a nossa cultura. O filme de René Sampaio se estabelece como uma maneira madura e inteligente de adaptar a nossa própria arte, sem abrir mão do novo. Não tem como não se apaixonar por essa história.

 

Classificação:

Leia algumas críticas nossas:

Um dos lançamentos nacionais mais aguardados de 2022, o longa-metragem Eduardo e Mônica chegará nos cinemas dia 20 de janeiro.

2 thoughts on “Eduardo e Mônica (2020) | Crítica”

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