Encanto/Walt Disney Company - Reprodução

Em sua sexagésima produção animada para o cinema, a Walt Disney Animation Studios propõe um conversa franca, reflexiva e de suma importância sobre os basilares que compõem a família em Encanto. E essa aventura multicolorida tem um gostinho muito especial para nós, latinos, com vários acordes na Colômbia, país vizinho, a Disney não poupou esforços em ambientar nossas emoções e traços nessa alegoria dirigida por Byron Howard e Jared Bush.

A nossa querida protagonista, Mirabel cresceu num lugar mágico, numa família encantadora. O clã do qual pertence possui uma responsabilidade ímpar com a comunidade local, além de servir como os primeiros colonos na área, como condutores a um futuro melhor, a Madrigal tentara criar um ambiente sólido e estável para todos. Reza a lenda que a Madrigal estabeleceu um assentamento seguro através de seus dons com uma proposta muito simples, proteger a aldeia. Cada integrante da família possuía esse algo especial, algo que era bastante comemorado por todos. No entanto, a Maribel não foi revelado nada, absolutamente nada. E crescer num ambiente em que todos possuem algo e você “não”, pode soar bastante hostil.

Encanto não poupa argumentos em nos fazer refletir sobre o quanto as relações intrafamiliares podem afetar o comportamento do individuo, para ser honesto, a narrativa é uma verdadeira sessão de terapia aos espectadores nesse sentido. É quase impossível não associarmos a vida real aos personagens da trama, que são profundamente humanos e sombras de amigos e/ou parentes que convivemos, ou quem sabe, se pareçam conosco. A proposta de humanizar a história é uma verdadeira “dádiva” nessa obra cinematográfica. A premissa em não jogar para debaixo do tapete os múltiplos dilemas existentes fazem da trama algo significativo e belo, como por exemplo a redenção de Tio Bruno perante a família. Os problemas com o diferente, a pressão desmedida pela perfeição, o descontrole emocional, o medo pela perda são apenas alguns dos muito atos que guiam carinhosamente a nossa história a um final preciso, profundo, austero e transformador.

E se em algum momento você sentiu raiva da “Abuela”, pela forma como conduzira a família Madrigal, posso lhe afirmar categoricamente que tudo é proposital e encantador, pois todos os personagens representam momentos de nossas vidas, cada um deles foram ou são momentos que eu ou você passamos, inclusive a “Casita” – Quem nunca ficou no automático?! – Além disso, a escolha de uma mulher como a “chefe de casa” foi mais uma amostra assertiva da produção Disney. Afinal, boa parte das famílias latinas tem na mulher a sua maior força. Encanto apostou bem em seu roteiro, na maneira de contar a história que deve ser acompanhada por todos, independente da faixa etária. Na realidade faz tempo que as animações deixaram de ser exclusivas aos mais novos.

Com uma trilha sonora belíssima do gigante Lin-Manuel Miranda (“Hamilton”; “Tick, Tick… Boom!”) e bem dirigida, Encanto se sobrepõe ao universo das animações alcançando o “hall das melhores” no segmento. Repleto de simplicidade, genialidade, inúmeras lições e excelente tecnicidade e roteiro, o filme da Howard e Bush pode ser traduzido como PURA JORNADA EMOCIONAL. Não se enganem se Encanto fisgar algumas estatuetas no Oscar 2022.

Classificação:

5 Patas

Leia algumas críticas nossas:

O longa animado, Encanto encontra-se no catálogo da Disney Plus.

By Amauri Alves

Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante (...) Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo

3 thoughts on “Encanto (2021) | Crítica”

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