Amor, Sublime Amor/20th Century Studios - Reprodução

Houve uma época, na era de ouro de Hollywood, que o gênero musical era um dos grandes fenômenos da indústria do cinema. Com os anos 70, houve uma mudança brusca quanto ao gosto do público e os musicais sofreram grande impacto, perdendo força, prestígio e a garantia de bilheterias. Desde então, os musicais vivem de sucessos pontuais. Sobrevivendo de altos e baixos. E mais baixos.

Por mais que a música permaneça como parte essencial de qualquer filme, os musicais não são um gênero fácil. É um desafio maior em todos os aspectos de uma produção. Para os astros, além de interpretar cada papel, é preciso cantar e, em alguns casos, dançar também. Haja coreografia. Especialmente, quando há cenas de dança coletivas, de grande grupo do elenco. Tanto esforço nem sempre é recompensado. Os musicais não costumam conquistar tantos prêmios e nem sempre o público celebra um filme do gênero.

Na contramão desse cenário difícil, três artistas trabalharam nos últimos anos, para manter a chama dos musicais ainda viva e não fazem feio. Damien Chazelle começou a chamar a atenção com o roteiro de Toque de Mestre (2013), surpreendeu a todos com Whiplash – Em Busca da Perfeição (2014), em que roteirizou e dirigiu, trazendo as impressionantes atuações de Miles Teller e J.K. Simmons, abrindo caminho para o seu passo mais ousado, o filme La La Land – Cantando Estações (2016), grande vencedor de 6 Oscars, inclusive para Chazelle, como Melhor Diretor, além de Melhor Canção, Trilha Sonora, Fotografia e Direção de Arte.

Tony Kushner conquistou grande prestígio em seus trabalhos, antes de se envolver com cinema. Venceu um prêmio Pulitzer e conquistou o prêmio máximo do teatro, o Tony (Piada inevitável – O Tony venceu o Tony), por seu espetáculo da Broadway, Angels in America, grande sucesso dos anos 90, nos palcos, transformada em série da HBO, em 2003 e caminhando para virar filme, em breve. Tornou-se um parceiro favorito do mestre Steven Spielberg, cuja parceria rendeu filmes de outros gêneros como Munique (2005) e Lincoln (2012), até que Kushner conseguiu convencer Spielberg a investir num musical. A refilmagem Amor, Sublime Amor (2021), adaptação do clássico de 1961, que foi grande vencedor de dez Oscars. Por sua vez, adaptado de um musical vitorioso da Broadway, vencedor de 6 Tony. Por sua vez, adaptado da imortal peça de William Shakespeare, Romeu e Julieta. A nova obra de Spielberg é celebrada pela crítica como um dos melhores filmes do cineasta das últimas décadas, embora não tenha recebido uma recepção morna pelo público nos cinemas. Ainda pode fazer bonito nas premiações.

E o nome mais badalado e disputado no gênero é Lin-Manuel Miranda. Seus múltiplos trabalhos e contribuições são impressionantes. Um artista completo. Ele é ator, rapper, compositor, dramaturgo, cantor, produtor, diretor e letrista norte-americano de origem porto-riquenha. já ganhou um Prêmio Pulitzer, dois Grammys, um Emmy, três Tonys e outros prêmios. Só falta o Oscar. Mas não está longe. Ele fez dois trabalhos marcantes na Broadway. Em um Bairro de Nova York e o hiper premiado Hamilton, vencedor de 11 Tony. Uma releitura histórica da formação dos Estados Unidos, em forma de musical inovador, com o uso de músicas em estilo contemporâneo. Em 2016, o espetáculo reuniu parte do elenco em apresentação especial na Casa Branca, para o Presidente Barack Obama. Além de Miranda fazer quase tudo em Hamilton, ele ainda é o protagonista da trama que rendeu um longa de apresentação do show da Broadway, lançado pela Disney, disponível no serviço Disney Plus.

O estúdio realizou outras parcerias com o artista. Miranda contribuiu para a trilha sonora de Star Wars – O Despertar da Força (2015) e Star Wars – A Ascensão Skywalker (2019). Foi um dos compositores da trilha de Moana (2016), além da música do filme “How Far I’ll Go” que foi indicada ao Globo de Ouro, Critics Choice Awards e ao Oscar. Atuou no elenco de O Retorno de Mary Poppins (2018), fez a adaptação para as telas de seu musical, Em um Bairro de Nova York (2021), estreou na direção com o musical Tick, Tick…Boom! (2021), colaborou com as canções de Encanto (2021), nova animação da Disney, compôs várias canções para Vivo – Um Amigo Show (2021), nova animação da Sony. O próximo projeto de Miranda é a trilha sonora da nova versão de A Pequena Sereia, prevista para 2023.

Se depender de Damien Chazelle, Tony Kushner e Lin-Manuel Miranda, os musicais no cinema vão continuar emocionando os corações dos cinéfilos de todos os lugares e gerações.

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Vida longa aos musicais.

By Ronilson Araujo

As artes se unem para celebrar a grandiosidade da Sétima Arte e representar a vida, a 24 quadros por segundo. Por isso, o cinema é tão fascinante e reflete sua relevância diante de toda a Cultura Pop.