2021 foi um ano de recomeços, resistência e – com certeza – de bastante luta para o cinema.  Estamos passando por um período mundial onde tantas coisas estão sendo postas em provas. E com o cinema não foi diferente com a discussão excessiva sobre o seu futuro e quais novos caminhos ele teria que recorrer para alcançar o sucesso de outrora. Abaixo temos uma lista diversa, de filmes que nunca viram a tela grande mas que com certeza desbravaram lugares inimagináveis por conta desse novo formato de consumo e dessa nova realidade que nos encontramos.

 

10. Tick, Tick… Boom!, de Lin-Manuel Miranda

Cinema de homenagem que não se perde em tantas referências ao adaptar de forma inteligente e honesta a peça autobiográfica de Jonathan Larson. Lin-Manuel Miranda se mostrando como o verdadeiro herdeiro do cinema musical moderno americano como tantos previram.

 

9. Halloween Kills: O Terror Continua, de David Gordon Green

Falem o que quiserem, mas esse filme cumpre tudo o que promete sem em nenhum momento negar o legado criado por John Carpenter e Debra Hill. O mal nunca morre, ainda bem.

 

8. Velvet Underground, de Todd Haynes

Um documentário que entende que não precisa ser didático para contar uma história. Uma verdadeira ode ao cinema experimental de Jonas Mekas e ao experimentalismo da banda mais influente da música. Todd Haynes sabe das coisas.

 

7. Maligno, de James Wan

O filme mais bagaceira do ano. James Wan voltando as suas origens do terror entregando um filme que homenageia o Giallo Italiano de uma forma totalmente divertida e longe de qualquer necessidade de perfeição. Esse filme ainda vai ter o reconhecimento que merece ter, anotem.

 

6. Turma da Mônica: Lições, de Daniel Rezende

O empenho que Daniel Rezende tem de criar um universo cinematográfico para os personagens do lendário Maurício de Sousa acaba sendo uma boa surpresa. Não que seja um dos melhores filmes nacionais e nem consiga ser superior ao que o diretor já entregou (inclusive no primeiro filme da sua saga pela turma da Monica), mas é um ótimo exercício de como fazer o cinema nacional ser notável e respeitado como sempre deveria ter sido.

 

5. Spencer, de Pablo Larrain

São poucos os cineastas que entendem que fábulas (por mais que baseadas em obras tristes e reais) devem abraçar o belo a todo momento que puderem. E é exatamente isso que Larin faz no seu filme-denúncia (que ironicamente se abraça como homenagem) da princesa Diana. Kristen Stewart é uma das atrizes mais versáteis do cinema contemporâneo.

 

4. Bergman Island, de Mia Hansen-Løve

Mia Hansen-Løve mais uma vez provando que bom cinema se faz quando se tem controle total da narrativa e sabe a história que se está contando. Bergman Island é um cinema inventivo e simples que serve de homenagem e experimento ao mesmo tempo.

 

3. Annette, de Leos Carax

Leos Carax é o verdadeiro enfant terrible do cinema francês. Annette – assim como toda a filmografia do diretor – é uma ode às possibilidades que só o cinema pode proporcionar para a humanidade.

 

2. Mão de Deus, de Paolo Sorrentino

Um dos filmes mais sensíveis ao retratar a transição da liberdade da juventude para a dureza que é ser adulto. Sorrentino entrega toda a sutileza do cinema italiano no filme da sua vida para que, enfim, todos tenham certeza que ele é o herdeiro direto de Fellini.

 

1. Ataque dos Cães, de Jane Campion

Não acho que esse seja só o filme do ano como também é uma das melhores coisas que surgiram nesse milênio. Campion fez aqui o que muitos passaram a vida tentando e morreram sem nem chegar perto: entregou o faroeste perfeito. Todas as honras para ela.