O Beco do Pesadelo/20th Century Studios - Reprodução

De fábula em fábula, o cinema norte-americano vai criando sua visão e interpretação sobre realidades avulsas que se forem bem contadas acabam conversando com todos os públicos. Não é de se estranhar que Guillermo Del Toro tenha se adaptado tão bem (ou talvez ele só seja querido pelo sistema) a Hollywood mesmo com sua carreira bem sucedida em seu país natal.

O que torna O Beco do Pesadelo um filme interessante de se assistir é a mesma via que faz com que seja perceptível todos os seus problemas. Essa obsessão por um passado onírico (e um tanto anacrônico) dos últimos filmes do diretor faz com que o filme possua uma atmosfera instigante e envolvente.

Por emular um estilo Noir, O Beco do Pesadelo está a todo momento preparando a audiência para uma catarse narrativa. É ai que começamos a perceber que a direção de Del Toro não possui tanto controle do texto como sua perspicácia para trabalhar bem o visual de seus filmes. Mesmo com uma ambientação de mundo invejável, o texto é tímido e o que deveria ficar em segundo plano se torna protagonista de um local que não queria estar.

Já quando vamos para as atuações entramos em outro viés interessante. Mesmo com um texto simples e didático (com direito até a lição de moral e um ciclo narrativa piegas), os atores parecem dedicados ao material que têm em mão e entregam atuações que mesmo quando beiram ao caricato são convincentes por estarem em um contexto que isso é permitido e bem caracterizado.

E por mais que as cenas sejam bem executadas e com uma autoconsciência fílmica muito primorosa, a montagem parece não saber bem criar um senso de urgência quando o urgente é preciso ou de contemplação quando o que precisamos é de um simples e puro alívio visual.

Guillermo conseguiu ir além do que entregou em Forma da Água, mas enquanto seu filme premiado se segurava bem na beleza da nostalgia (um dos poucos filmes dessa leva dos excessos nostálgicos que funciona sem causar náuseas), em O Beco do Pesadelo sua tentativa de ser Noir se perde na ingenuidade da direção do diretor. Um filme que é tipo vidro falso feito com açúcar: belo de se ver, mas frágil quando se tenta tocar.

 

Classificação:

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O filme da 20th Century Studios é dirigido por Guillermo Del Toro, e encontra-se em cartaz nos cinemas.

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