Licorice Pizza/MGM/Universal Pictures - Reprodução

A vida não é perfeita, aliás é incontrolável, disforme, repleta de dúvidas e incertezas. Quem dela tira proveito, bom negócio faz e talvez, seja um verdadeiro agraciado. Licorice Pizza é um pequeno fragmento dessa realidade distorcida pela nosso romantismo barato. O que Paul Thomas Anderson faz com esse filme é admitir a nossa própria inconsistência, a nossa própria natureza – com falhas e acertos – através de uma jornada intensa, heterogênea e cotidiana; e tudo isso regado a muita qualidade técnica.

O longa da MGM e Universal Pictures é uma anedota assombrosa do dia-a-dia. A leitura caoticamente perfeita de Anderson sobre a vida é de uma singularidade esquecida e vulgarizada por tolos. Licorice Pizza é uma excelente demonstração do cinema como arte e merece as três indicações feitas pela Academia ao Oscar 2022.

Na trama, Alana (Alana Haim) conhece inesperadamente um jovem artista e aluno secundarista, Gary Valentine (Cooper Hoffman). A atração entre o casal parece algo natural, quase que orgânico e sim, “fofo”. No entanto, Alana é mais a velha nessa doce relação, logo a dificuldade é posta à mesa. Sei que parece algo “bobo”, mas a construção da narrativa é deliciosamente encantadora. E falando sobre o assunto, digamos que o enredo de Licorice Pizza é um sucedido exemplo de dinamismo, intensidade com mesclas exatas para se compreender o que está se vendo. A direção e edição do filme funcionam muito bem. Atuam como se valsa fosse: Não é por acaso que os protagonistas, vira-e-mexe estão correndo, afastando-se e colidindo-se como uma bela sinfonia. Isso, meus senhores, trata-se de uma mera alegoria que é a nossa vida.

Aqui, há nomes de peso, mas eles não são claramente as estrelas do produto, mas alicerces em Licorice Pizza: Sean Penn, Bradley Cooper, Benny Safadie e Tom Waits pavimentaram o caminho para Haim e Hoffman brilharem. Com um sonoro destaque para a primeira, a jovem Alana. Que na base da entrega, faz de sua personagem o farol do filme. A sua simplicidade em compreender o contexto e engenhosidade das coisas denotam um futuro promissor para a atriz. Hoffman não fica muito atrás, no entanto, este filme é claramente dela.

Com ótima perspectiva, tecnicidade – que vai da trilha sonora ao designer de produção – e um roteiro original soberbo, Licorice Pizza é uma apaixonante obra do cineasta Paul Thomas Anderson. De extrema simplicidade, envoltos numa linguagem meramente usual, reflexiva e inteligente, o produto da MGM fala por si só. Bem construída, Licorice Pizza é uma ótima aposta para o bolão Oscar: “- Não se surpreenda se levar um ou as três estatuetas”.

Classificação: 5 Patas

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O filme da Universal PicturesLicorice Pizza estreia exclusivamente nos cinemas hoje (16).

By Amauri Alves

Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante (...) Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo

4 thoughts on “Licorice Pizza (2022) | Crítica”

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