Mães Paralelas/Netflix- Reprodução

A estética kitsch de Pedro Almodóvar deixou de ser algo trabalhado em seus filmes desde que ele abraçou uma narrativa mais tradicional do melodrama e abandonou a inspiração dos seus ídolos para focar em sua própria essência de diretor autoconsciente do que produz e que busca formas de como pode se auto referenciar. O filme da Netflix, Mães Paralelas surge nessa indulgência de um cineasta que se perdeu dentro de sua estética e agora busca formas de se libertar dessas amarras tão fortes que é o ego inflado.

Vindo de um filme biográfico (e um tanto que pessoal) onde o diretor se permitia ser personagem e autor na mesma proporção, ver um filme como Mães Paralelas sendo anunciado parecia um revival do que o diretor sempre propôs no começo de sua carreira o mundo é feminino envolto de uma estética totalmente envolvente e eloquente.

Na verdade, Mães Paralelas parece um proto-filme do Almodóvar. O melodrama não é tão convincente; os exageros não são tão críveis; e as atuações não entregam a visceralidade tão características deste tipo de cinema.

Os vislumbres melodramáticos que temos aqui podem ser só vistos nas atrizes fetiche do diretor que parecem estar dispostas a fazerem o que podem com o material fraco que têm em mãos.

Apagado como cópia feita em papel carbono amassado, não existem muitas qualidades para serem ditas sobre Mães Paralelas. Além de inconsistente no gênero que está inserido, o filme parece mal acabado em questões de montagem/edição e até mesmo com uma estética apagada para um diretor que é conhecido pelos seus exageros visuais.

Um filme do Almodóvar que se perde em previsibilidade e possui um final opaco é o que podemos chamar de pecado mortal.

 

Classificação:

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Estrelado por Penélope Cruz e Milena Smit, Mães Paralelas encontra-se no catálogo da Netflix.

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