O Poderoso Chefão

Essa semana o filme mais influente do cinema completa 50 anos de seu lançamento. Sei que afirmar tal coisa pode soar presunçoso e um tanto que vago sem uma total explicação sobre essa colocação. Mas eu não estou aqui para falar da importância do filme de Francis Ford Coppola em sua essência inventiva e anárquica (sim, uma obra que revoluciona em momentos de marasmo é anarquia pura, lide com isso), muito menos quero me prender em horas falando de como Marlon Brando se reinventou nesse filme que marcou de todas as formas sua vida…

O que O Poderoso Chefão fez está feito, e podemos perceber em tudo que foi feito depois. Desde a forma que o cinema passou a lidar com anti-heróis até como a violência deixou de ser tabu para ser essencial.

Pra mim, a força do(s) filme(s) de Coppola se concentra(m) em uma única cena, que está no final da segunda parte da sua trilogia sobre a família Corleone: A Mesa.

 

A presença na ausência;

A tensão na espera;

O retroativo de imagens.

 

Fico preso nesses três tópicos acima quando vejo a última cena de O Poderoso Chefão, Parte II. Ouso dizer que essa é minha cena favorita em todo o cinema. Coppola pode não ser (não é) o mais regular dos cineastas, mas é inegável que sua era mais inspirada na Nova Hollywood ele conseguiu entregar os filmes mais influentes e puramente cinematográficos da geração.

Quando acompanhamos uma família esperando seu patriarca chegar à mesa conseguimos ver todas as mazelas sociais que um grupo de pessoas podem acumular por compartilharem tanto tempo juntos o ambiente. Vito não aparece em nenhum momento, mas sua presença é sentida por todos: pelos personagens e pelos telespectadores.

A sua onipresença faz com que sua ausência seja mais intensa. Ela faz com que surjam diversas emoções e sensações nos presentes. Nós ficamos tensos para a chegada, mas aqueles que estão se espremendo em tela carregam consigo uma urgência sobre diversos assuntos que foram apresentados para nós durante todos os filmes, um verdadeiro retroativo de imagens.

E as questões em tela são tão simples, mas que carregam tanta complexidade que acabam sendo estopim para as mais diversas reações de todos os presentes. Como devemos nos portar na mesa? Quem merece o melhor local dela – ao lado do deus que está pra chegar? Quais são os assuntos e quem é merecedor de dirigir a palavra para Ele?

Não se sabe ao cedo porque Marlon Brando não surge em tela nessa cena. Pode ser pelas divergências ator e diretor que ficaram tão famosas anos depois, mas com essa cena Coppola conseguiu resumir muito bem o que é o cinema: um aglomerado de imagens que têm a intenção de eternizar coisas e pessoas.

Marlon Brando se tornou “o padrinho”. E Coppola se tornou o deus do cinema naquele momento. E realmente são as consequências que fazem surgir grandes cineastas e grandes momentos.

 

Feliz 50, chefão.

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