Ambulância - Um Dia de Crime/Universal Pictures - Reprodução

Sabe aquele ditado popular: “Todo excesso faz mal, toda falta também.” Resume bem o filme de Michael Bay (“Transformers”; “TNMT”), Ambulância – Um Dia de Crime. O cineasta que possui a sua própria “grife” cinematográfica, mais um vez, meteu os pés pelas mãos nos excessos. Sem encontrar o tão sonhado equilíbrio funcional, o longa se supervaloriza na forma de contar a história, nas cenas de ação, e esquece de cobrar um roteiro mais robusto e nada piegas.

Inspirado na obra homônima de 1990, do diretor Larry Cohen, o longa da Universal Pictures conta uma história mais atual sobre uma dupla irmãos Danny (Jake Gyllenhaal) e Will Sharpe (Yahya Abdul-Mateen II) que cometem um assalto ao Banco Federal sediado em Los Angeles. E como imaginado, algo dará errado e a ação criminosa torna-se uma verdadeira caçada policial pelas ruas da cidade, de um jeito ainda mais complicado, numa ambulância.

Aparentemente, a trama não é tão previsível assim, o roteirista Chris Fedak (“Forever”) tem várias ideias boas, mas não consegue colocá-las em prática, parecem até meio cortadas, como se ele não chegasse aos “finalmentes”, se é que você me entende!? Como por exemplo, a dualidade constante entre os irmãos, um psicopata de “carteirinha” e um ex-militar americano, deixado à sorte pelo Governo. Além disso, não “casou bem” este mesmo antagonismo entre as forças policiais e os assaltantes de bancos – tudo ficou muito na superfície, sem profundidade, vazio até, em alguns momentos. E como norteadores para uma boa história, essas falhas minam a proposta do filme que termina por se apoiar nas cenas megalomaníacas de Bay. E esse, não tem jeito.

Bay não é um cineasta de meio termo, de buscar o equilíbrio num filme, ele sempre se excede nos argumentos, nas cenas. Sabe aqueles “tios” que tem razão mas de tanto falar a perdem, no cinema, esse é Bay. Os quadros de ação construídas por ele tem qualidade, mas todas essas ideias são gigantes, sem conectivos adequados e nada equilibrado. Some isso a um roteiro “esfacelado” e cansativo, temos, então, Ambulância – Um Dia de Crime.

A fragilidade das ideias só não é pior pelas atuações na base do “OK” dos astros supracitados, somado ao nome de Eiza Gonzalez. O trio tenta manter a história ali, confinada numa Ambulância – o que faltou explorar melhor isso pelo roteiro -, mas ela não desenrola da melhor maneira, não passa do “teto” – o texto não ajuda.

Bem ajustado na maior parte dos quesitos técnicos, o filme Ambulância – Um Dia de Crime permeia criteriosamente bons momentos nesse sentido. Ele funciona como entretenimento, e se essa for a principal premissa, tudo bem, caso contrário, ele não vai bem, caindo numa armadilha temporal, se excedendo nas várias dimensões existências. Confesso que até tentei gostar, mas a cena do policial realizando a caçada aos bandidos com o cão de estimação do Capitão no cockpit, “não rola pra mim“.

Em suma, Ambulância – Um Dia de Crime é conjunto danoso de excessos e faltas. O thriller de Michael Bay é o exemplo perfeito para o ditado popular já descrito aqui. Muitas informações e pouca qualidade textual. Como filme, para assistir de maneira despretensiosa cai bem, caso você exija mais um pouco dele, terá um misto de decepção e cenas longas de ação. E se esse for o seu cinema, legal! Mas não é o meu…

Classificação:

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O filme da Universal Pictures, Ambulância – Um Dia de Crime estreia amanhã (24) nos cinemas.

By Amauri Alves

Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante (...) Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo

4 thoughts on “Ambulância – Um Dia de Crime (2022) | Crítica”

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