Drive My Car/Warner - Reprodução

Muito se comenta sobre as diferenças notáveis do cinema asiático com o ocidental. Não que sempre precise ter comparações, cada um com seu cinema, mas é divertido fazer reflexões sobre visões diferentes não só de realidades como também do fazer arte.

Drive My Car segue uma lógica de cinema que se assemelha muito ao que ficou conhecido no começo do milênio como cinema de fluxo. Mas diferente dos seus vizinhos de fronteira, o que se segue na narrativa de Ryusuke Hamaguchi é talvez uma “não pressa” de narrar uma história que sabe tanto a direção que deve seguir como o tempo para se desenvolver.

Estamos diante de um niilismo cinematográfico pouco antes visto. De imediato é como estar diante de um remake dissonante de Corrida Sem Fim do Monte Hellman, com os protagonistas sem necessidade de expressar seus sentimentos nas ações que exercem na história em tela. Mas tudo isso é uma progressão artística, onde nada é por acaso, e se começamos como um filme de Bresson (onde a expressão é um crime), acabamos como um filme do Rohmer (onde o sentimento é lei).

São poucos os cineastas que compreendem o silêncio. E Drive My Car poderia ser confundido facilmente como um ensaio sobre o silêncio que se comunica a todo momento com quem está assistindo.

A última cena, o ato final da peça de teatro, temos os gestos sendo mais importantes que as palavras. E mesmo que o final não seja tão impactante como o corte que antecede o aparecimento dos créditos, é com o choque de realidade que Hamaguchi decide nos deixar. Não é a película pegando fogo no final de Corrida Sem Fim, mas são os fatos que impregnam na retina.

E depois de visto, só a morte nos faz esquecer o que é verdadeiro.

 

Classificação:

Leia também, outras críticas nossas:

O filme foi indicado ao Oscar 2022 nas categorias de: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Direção. Dirigido e escrito por Ryusuke Hamaguchi ao lado de Takamasa OeDrive My Car estreia nos cinemas brasileiros hoje, 17 de março.

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