Morbius/Sony/Marvel - Reprodução

Todo produto cinematográfico é a junção sinérgica em imagens, som e texto. E a ausência de uma dessas peças pode inviabilizar o conceito de cinema para o público. Morbius, da Sony Pictures, é um daqueles exemplos pedagógicos, tratados em sala de aula, do que o cineasta ou estúdio não deve fazer com um filme.

O desafio é grande. Com uma parcela menor, mas não menos importante de personagens Marvel, a Sony que é proprietária de todo universo Homem-Aranha – avaliado em US$ 12 bilhões -, tenta emplacar os seus filmes como a primeira o fez. Não é atoa, que a empresa majoritariamente japonesa fez um “estágio avançado” no Marvel Studios para – quem sabe – fazer o mesmo sucesso que o MCU – diga-se de passagem que ele não é perfeito, porém a fórmula funciona concorde você ou não -. Mas, não basta está entre os melhores, se lhes falta inspiração e o atual produto da Sony reflete bem a ausência de sensibilidade textual sobre os personagens gerados nos quadrinhos da Marvel.

Em seu primeiro ato, Morbius, de Jared Leto, e todos os preâmbulos do longa são apresentados – o que é bastante razoável -, porém não demora muito para a produção apresentar sérios problemas estruturais. Talvez, aquele que mais se estenda pelos próximos minutos é a falta de habilidade na edição do filme. Acredito que o roteiro original de Burk Sharpless Matt Sazama seja um verdadeiro fracasso, mas os cortes mal elaborados do filme leva a produção num patamar quase surreal de ruim [muitas cenas que estavam no trailer, não aparecem no filme].

Ainda sobre o roteiro que considero um verdadeiro fracasso, ele não colabora em nada com o desenvolvimento do filme. Os personagens são frágeis, suas ambições são medonhas e suas histórias não encantam. O que deve ter proporcionado uma experiência esdrúxula para Leto e o antagonista da trama, Matt Smith. Aliás, o primeiro não tem sorte em filme de heróis. E se a produção não foi boa para os principais personagens, imagina para os satélites? Adria Arjona, Jared Harris e Tyrese Gibson foram frontalmente subaproveitados, e olhe que o último trabalha em Velozes & Furiosos.

Se como filme independente Morbius não funcionou, imagina num Universo compartilhado? O anti-herói dirigido por Daniel Espinosa (“Protegendo o Inimigo”; “Vida”) deve se encontrar com outros personagens do Aranhaverso e a expectativa não é boa [assista as cenas pós-crédito]. Basta observamos a franquia menor ao lado, Venom. O filme pode até arrecadar bem, mas dinheiro na conta não transpira qualidade e isto, está em falta nos filmes que circundam o Homem-Aranha.

Por fim, e não menos estranho, Morbius apresentou que misturar algumas franquias não caem bem em um novo filme. Se não bastasse a mescla de Harry Potter e Crepúsculo – tivemos um Hadouken de morcegos, a la Street Fight na batalha final. Eu poderia passar horas tentando explicar o inexplicável, mas me faltam palavras, como falta inspiração e vontade a Sony para entregar algo de qualidade no Aranhaverso. De muito mau gosto e um péssimo exemplo para adaptações de quadrinhos ou de qualquer tipo, Morbius estreia hoje (31) nos cinemas.

 

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