Cinema - Reprodução

Uma vez um crítico de cinema disse que só tem o cinema porque o cinema é para quem não tem nada.

 

Essa frase ecoa na minha mente por muitos anos:

 

Nada.

 

Não sei se aprendi tanto com a vida como aprendi com o cinema. Mas não vou negar esse oblívio que é ser viciado em imagens. Tudo que eu vi um dia vai se perder quando eu morrer. Então realmente eu tenho uma obsessão pelo nada, porque nem as palavras são aptas de enfatizar o tanto de sentimentos tive apenas por ver algo que é impalpável e irreproduzível em outros formatos.

Tive escolas intensas como o Noir que me fez perceber que as pessoas são piores do que a gente imagina; Aprendi a apreciar com Sirk que é no exagero dos sentimentos que está a nossa essência; Com Cassavetes descobri a vida e que não adianta esconder o que se é e o que se quer fazer.

Mas ainda sim tenho O Nada dentro de mim.

Como posso provar tudo que sei e aprendi se nenhuma dessas coisas foi com as coisas que vivi?

Sei o que tenho dentro de mim, sei o que vi e aprendi. No mundo imediatista e de prazeres descartáveis também sei que nada disso vai servir de alguma coisa algum dia. Mas não posso evitar de acumular imagens como um louco obsessivo.

Sou um museu de coisas imateriais que ninguém vai querer comprar algum dia. Só tenho um visitante e nunca tive a capacidade mínima preenchida.

Mas é isto. Eu sou o limbo das imagens. O acervo de lembranças que não criei, me apropriei.

 

Eu sou O Nada. Eu tenho O Cinema.

 

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