Red: Crescer é uma Fera/Disney+/Pixar - Reprodução

Adolescência: fase do desenvolvimento humano caracterizada pela passagem à juventude e que começa após a puberdade, segundo o dicionário Oxford. Período de mudanças e transição da infância para a ebulição hormonal. E se, além de todas as alterações,  você se tornasse um panda vermelho gigante todas as vezes que sente uma emoção forte?

Essa é a premissa do novo filme da Pixar Red: Crescer é uma Fera, que encontra-se exclusivamente no Disney+. Meilin é uma menina hiperativa de 13 anos que procura equilibrar a vida entre a obrigação com sua família chinesa e a diversão com as amigas da escola, em plenos anos 90. Entre celulares Nokia e boybands,  as 4 meninas não se largam e dividem suas alegrias e frustrações.

A mãe de Meilin, a senhora Ming,  educa a filha com rigidez excessiva,  sonhando em vê-la um dia em um cargo de suprema importância.   A família é responsável pela conservação de um templo em Toronto, dentro da comunidade chinesa da cidade. Todos os dias a limpeza do templo toma o lugar das brincadeiras após a aula pois não há espaço para diversões mundanas, música e meninos, segundo a cartilha de Ming.

Depois de uma desastrosa noite de vergonha, Meilin acorda transformada em panda vermelho e precisa manter a calma para que o bicho não apareça. A cada emoção forte,  ela muda de forma.

Metáfora óbvia sobre a puberdade, o filme não cai na mesmice graças à direção de Domee Shi, ganhadora do Oscar de melhor curta de animação por BAO, também no catálogo da Disney+. Em entrevista à Folha, por vídeo, a diretora Shi conta que a vermelhidão de seu panda – e a presença da cor, em inglês, já no título do filme – nada mais é que uma forma de “evocar esse momento da vida, em que as meninas menstruam e todos estão sempre com o rosto corado por vergonha, raiva ou qualquer outro sentimento na montanha-russa emocional que vivemos“. Aliás, esse é o primeiro filme da Pixar dirigido por uma mulher. Também será a primeira vez que a cidade de Toronto será cenário para uma animação da Disney.

O medo de ser diferente e principalmente, decepcionar a mãe, faz com que Meilin esconda seu segredo de todos, até certo ponto do filme, já mostrado no trailer, quando o quarteto de amigas se junta para passar pelo problema juntas.

Interessante como os demais personagens são aprofundados também, mostrando que todos nós temos medos e sentimos necessidade de aprovação. Mesmos os que parecem ser fortes, entregam as fraquezas em determinadas situações.

Quem viveu os anos 90 e 2000, vai curtir relembrar as modernidades da época,  embalada por uma trilha sonora empolgante. Para quem é mais novo, o filme também fala ao coração. Até onde vamos para fazer o que esperam de nós? Somos capazes de escolher baseado apenas na vontade própria?

Como já virou costume, a Pixar manda o recado com maestria.

 

Classificação: 5 Patas

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Sob o comando de Domee Shi (“Bao”), a animação Pixar encontra-se no Disney+.

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