Não muito distante do que conhecemos como fábula, o cinema escolhido por Pablo Larrain para contar histórias sobre mulheres notáveis é certeiro ao mesmo tempo que está ciente de todas as limitações que vai encontrar durante todo o seu percurso. Como um cinema incompleto que não está desesperado para ter sua totalidade notada, muito menos com uma disposição de ser complexo e/ou conceitual.

Spencer é muito mais que uma tour de force sobre uma persona. Estamos diante, acima de tudo, de um filmes simples sobre relações simples que se expressam na complexidade. Talvez da burocracia imperial, ou mesmo da loucura que é não ter reciprocidade naquilo que se sente e acredita.

Tanto Spencer quanto Jackie (filme anterior do diretor sobre Jackie Kennedy)  são filmes que se utilizam de uma percepção visual que se assemelha ao que os videoclipes conseguiram firmar na cultura pop como estética.

E não é atoa que a música se torna quase que um personagem nesses filmes com a criação de noções estéticas e sensoriais que se tornam suas características principais quando pensamos neles pós sessão.

Larraín é um diretor sensorial. E a adição de Johnny Greenwood (com sua trilha sonora intuitiva) faz com que Spencer seja muito além de uma excelente atuação de Kristen Stewart. Não é ela que carrega o filme, mas é ela que nos segura pelas mãos e nos faz rodopiar juntos com os fantasmas de uma realidade tão onírica quanto tempestuosa.

 

Classificação:

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O longa da FilmNation Entertainment, “Spencer é dirigido por Pablo Larrain e escrito por Steven Knight. O filme foi indicado ao Oscar 2022 e agora se faz presente digitalmente.