Embrionariamente, todo produção artística nasce com as características, as feições de seu criador ou criadora. Ou seja, fez parte do negócio, tem dedo na obra. Com a longeva “Downton Abbey” não é diferente. Onde você olha é quase impossível não sentirmos a voz ou o toque de Julian Fellowes: Suntuosa; Metódica, Bem humorada, Segura, porém, Previsível. E nesse diapasão, é notório o esvaziamento do novo para a franquia, nada assombra mais o espectador/fã, logo se pressupõe que talvez, tenhamos chegado ao fim.

“Downton Abbey 2: Uma Nova Era” é um retrato pitoresco da sociedade britânica do começo do século passado – com suas roupas finas, ao vocabulário rebuscado (quase parnasiano), a burocracia em sentimentos e modos de vida, e claro, o apego aos títulos – que sociologicamente falando é um arquétipo dos atuais dias. Com toda burocracia textual permitida, o longa da Universal Pictures é um belo presente para quem acompanhou a série por seis temporadas mais o primeiro filme.

O diretor Simon Curtis (“Meu Amigo Enzo”; “A Dama Dourada”) ao apresentar esta sequencia não deixou de extrair gota-a-gota a essência da agora franquia minimalista de sucesso do estúdio Carnival. O roteiro construído pela própria criadora do conto é simplesmente adorável, apesar de recorrer insistentemente aos clichês de suas histórias – E talvez isso incomode um pouco. Arrolado a trama, o longa volta a pontos e arcos deixados no filme passado, e de maneira singela, os preenche assertivamente. Se pudéssemos resumir o filme num único ato, é a busca incorruptível pela sobriedade com que temos que lidar com a vida e a morte todos os dias.

Como produção cinematográfica, o filme tem lá seus percalços. Como esperado, a objetividade estrutural é deixada de lado pela simbologia cognitiva de época, no entanto, esta não é a principal fragilidade do longa: A previsibilidade dos atos é que deve nocautear o espectador médio. Você não precisa conhecer profundamente a “Downton Abbey” para se enxergar o que está para acontecer. O “arrastado” dos atos nos faz caprichosamente enxergar o futuro, desestimulando, portanto, o interesse pela obra.

Confortáveis, os astros e estrelas de “Downton Abbey 2: Uma Nova Era” estiveram bem cena após cena, da Michelle Dockery à Elizabeth McGovern. A dramaticidade era palpável, quase “idílica”, porém, seguiram o momento em que a franquia se encontra – o esgotamento de ideias. Quanto aos quesitos técnicos – figurino, som, trilha sonora, cabelo e maquiagem, designer de produção – eles foram perfeitos – apesar de sentir que a edição e montagem não tenha ficado tão boa assim.

Portanto, creio que este seja um final justo e bonito para “Downton Abbey”. A possibilidade de um futuro para a família mais amada da Inglaterra deve manter-se, agora, tão somente no plano das ideias. O filme, por si só, funciona e sim, traz uma história digna da franquia. Bem costurado dentro do padrão pré-estabelecido pelo programa de TV, o longa da Universal Pictures é encantador e vale a pena ser acompanhado.

 

Classificação:

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O longa da Universal Pictures, “Downton Abbey 2: Uma Nova Era” estreia hoje (28) nos cinemas.

By Amauri Alves

Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante (...) Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo

4 thoughts on “Downton Abbey 2: Uma Nova Era (2022) | Crítica”

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