Quando Gaspar Noé verbalizou que “O Tempo Destrói Tudo” ele foi perspicaz. O tempo é realmente o maior inimigo que qualquer pessoa e qualquer coisa pode ter. É com o tempo que nossos corpos fenecem; é no tempo que as coisas estragam; e com certeza é o tempo que faz as obras se perderem – em seus conceitos e em suas formas.

“Amigos de Risco” é um filme que batalha contra o tempo a todo momento. Seja por sua história que se tornou lenda no cinema pernambucano depois do filme ter sua única cópia extraviada em um voo da TAM, até com sua luta constante para se manter coeso e fazer sentido no momento em que finalmente encontrou seu lugar ao sol.

Daniel Bandeira fez em 2007 um filme que consegue ser pungente mesmo depois de 15 anos. Ver os amigos perambulando em busca de ajuda pelas ruas de Recife enquanto questionam suas relações poderia ser um objeto bairrista que só quem mora aqui poderia absorver, mas, por estar a todo momento ciente do tipo de cinema que está querendo fazer, e com a inteligência do material e das ferramentas que tem em mãos, o diretor faz um filme que tem uma narrativa universal e de fácil assimilação com quem quer que assista.

Mas o verdadeiro triunfo de Bandeira é conseguir trazer um cinema que de tão jovial parece que não envelheceu em nenhum momento. Mesmo com tantas novas tecnologias que tornariam a história inviável de acontecer atualmente, é tudo tão crível e aceitável que nossa imersão só se vai no final quando os créditos surgem.

Não que estamos diante de uma obra perfeita e sem percalços narrativos, mas o filme é tão vivo e tão intenso que até os deslizes do roteiro e algumas falhas da direção/atuação passam e tudo que queremos é continuar assistindo aquilo que está na tela para saber até onde vamos ser levados.

Daniel Bandeira conseguiu no seu longa de estreia provar que boas coisas conseguem resistir à prova do tempo. E que bons filmes são como bons vinhos. Um brinde!

 

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O longa pernambucano, “Amigos de Risco” encontra-se em cartaz nos cinemas.

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