Chamas da Vingança/Universal Pictures - Reprodução

Quando ouvimos ou lemos o nome Stephen King em alguma matéria ou crédito de filme/série, logo associamos a “grife” do momento, ao terror convencional, aquele com espíritos, ou quem sabe com o tom psicológico aterrorizante, quase visceral. Mas, para “Chamas da Vingança”, uma releitura do filme de 84, não.

A proposta do diretor Keith Thomas (“The Virgil”; Arkane”) para essa nova abordagem é bem diferente: Um suspense apoiado no terror gore, que nortearão a jornada dessa produção quase marvética. E claro que você não verá perfeição, a trama possui certa superficialidade, mas de modo geral, o longa da Universal Pictures alcança seus objetivos através de mais um terror da Blumhouse Productions..

Previsível, nem tanto. “Chamas da Vingança” está mais próximo dos quadrinhos do que imaginamos. Os elementos do gênero odiados pelos críticos enrijecidos, caquéticos e sem alma estão ali, porém, as palavras-chaves não estão – se você ler alguma crítica de alguém que não curte heróis e curtiu esse filme, você verá claramente o preconceito estampado no rosto do escritor -. Voltemos a analise. O pano de fundo é uma agência governamental com interesses escusos no caminho de uma família quase “comum”, aliás, de uma menininha especial, a jovem Charlie (Ryan Kiera Armstrong).

E essa premissa seguirá todo a trama. Para ser bem honesto, os textos de Scott Teems são simples, com alguns tons altos e outros tantos, baixos. O roteiro em si, não busca uma profundidade maior, não extrai o melhor de seus personagens – se não fosse pelo trabalho de Zac Efron, tudo isso passaria desapercebido -. Ou seja, o filme poderia ser mais elegante, inteligente, porém, não acontece. E não acontece porque o roteirista, em sua busca pelo equilíbrio, ele achou um ponto “seguro”, e se apropriou do “OK”.

A direção de Thomas elevou um pouco a produção da Blumhouse. Seu dinamismo foi essencial para se entregar as informações mais pontuais em cada corte, em cada quadro subsequente, sem criar muitas celeumas ou paradoxos incabíveis. Para adoçar isso, a trilha sonora de John Carpenter (“Halloween”) agregou sentimentos, emoções envoltos em muito sangue – lembre-se, gore. Mortes aqui é muito comum -. Carpenter – um dos grandes mestres da cinematografia – ganha cada vez mais espaços nesse quesito [ouça o nosso Siricast sobre o também diretor], e em “Chamas da Vingança” ele se agiganta. A edição, mixagem e som são outros pontos que contribuem positivamente para a trama.

Em suma, “Chamas da Vingança” é um bom filme. Despretensioso, sem amarras e com possibilidades infinitas, o longa de Keith Thomas é, no mínimo, interessante. Bem produzido, mesmo reconhecendo os seus erros e problemas no roteiro, ele suporta as adversidades e entrega um produto perspicaz.

Classificação:

Leia também, outras críticas nossas:

“Chamas da Vingança” é um filme dirigido por Keith Thomas, a partir de um roteiro de Scott Teems, baseado no romance de mesmo nome de Stephen King. É um remake da adaptação cinematográfica de 1984 com o mesmo nome. Estreia hoje (19), exclusivamente, nos cinemas.

By Amauri Alves

Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante (...) Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo

One thought on “Chamas da Vingança (2022) | Crítica”

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