Estamos acostumados em acompanhar as produções Marvel e sairmos das salas de cinema ou das telinhas sempre na mesma sintonia, talvez um reflexo natural do modelo que o estúdio tem impresso por mais de uma década: Criatividade e entretenimento baseados em quadrinhos e seus múltiplos fan-service. No entanto, essa “assertividade cinematográfica” traduzida em montante de dinheiro nem sempre convence os especialistas. Não é a toa o debate acalorado sobre o assunto nos mais diversos nichos, em tempos de lançamentos ou não dos programas da “Casa das Ideias”.

Em “Doutor Estranho no Multiverso da Loucura”, o estúdio americano, tenta propor algo diferente do que estamos acostumados a ver. Algo que pode ser aplaudido ou detonado pelo esquizofrênico fandom Marvel. Mas algo novo, e isso, é ótimo para o MCU. Buscar formas diferentes para adaptar os quadrinhos é a chave para a continuidade da franquia sair do estágio inerte e previsível que se metera. Claro que ainda não é o suficiente, mas esse tipo de “aperreio” mostra o desejo de Kevin Feige e Cia em manter a Marvel no topo por um longo tempo e quem ganha é o publico.

Mas qual seria a saída? Apesar de simplória e frágil, a escolha de mudança empreendida pela Marvel foi a mescla de gêneros. No cinema, “Doutor Estranho no Multiverso da Loucura” é o primeiro dessa nova safra. O terror apresentado no longa estrelado por Elizabeth Olsen e Benedict Cumberbatch busca inspiração no gênero. A escolha de Sam Raimi não parece nada aleatória pelo estúdio. Com trabalhos noutros segmentos, ele é um especialista em mexer com os nossos medos e transformá-los em cortes de cinema. “Doutor Estranho no Multiverso da Loucura” não só possui requintes do gênero, como busca as ótimas referências dele. É quase impossível não enxergamos similaridades com “Carrie, A Estranha (1976)”, de Brian De Palma, e “O Grito (2005)”, de Takashi Shimizu. Nesse sentido, o longa surpreende positivamente o cinéfilo de plantão. As várias nuances do segmento estão por lá.

Como filme pensando dentro de seu próprio arco, “Doutor Estranho no Multiverso da Loucura” funciona ligeiramente bem. Os únicos desdobramentos importantes para se entender melhor a trama, ou a justificativa para a ensandecida Wanda, está na sua série solo, WandaVision. Havia uma expectativa gigantesca para que o longa apresentasse novos personagens e universos, no entanto, Michael Waldron e Jade Bartlett optaram pelo texto mais contido e “amarradinho”, deixando a abertura e exploração definitiva do multiverso para a segunda temporada Loki [leia a crítica da primeira temporada].

Envolvente e no tom “certo”, a sequencia de Doutor Estranho não é só flores. As resoluções simples de grandes problemas e erros de continuação estão presentes na trama. Mas isso não será o suficiente para tirar o brilho do longa, que se viu em Olsen e Cumberbatch uma sonora química paradoxal. Além de suas boas atuações, eles estão acostumados e aparentemente felizes com a franquia, entregando bem os respectivos personagens. Com o apoio dos ótimos coadjuvantes, Rachel McAdams, Benedict Wong, e a surpreendente Xochitl Gomez, o filme caminhou sem muitos atropelos. Tecnicamente, “Doutor Estranho no Multiverso da Loucura” foi bem conduzido. A trilha sonora, mixagem e edição de som levaram a trama Marvel para um patamar acima do ideal, como normalmente o é para a franquia. Os efeitos visuais também funcionaram.

Em suma, o filme de Raimi respeitou os atos, os personagens e principalmente, a essência dos quadrinhos nesse novo contexto criado. Resta saber se essas mudanças continuarão ou apenas, foram fruto de um surto endêmico de Feige. Ele que tem preparado o terreno para “Os Novos Vingadores”. De fato, o MCU é um arranjo sistêmico e complexo – no melhor dos sentidos – de um universo compartilhado apaixonante e delicioso em acompanhar, que nos leva a querer sempre mais. Afinal, há muitos outras sagas para serem vistas…

Vida longa aos textos de Stan Lee, Steve Ditko, Jack Kirby, John Romita e muitos outros, que fazem da Marvel a “Casa das Ideias”.

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Com 2h06min, o filme Marvel “Doutor Estranho 2” estreia hoje (05), exclusivamente, nos cinemas em 5 de maio de 2022.

By Amauri Alves

Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante (...) Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo

6 thoughts on “Doutor Estranho no Multiverso da Loucura | Crítica (2022)”

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