MORTE NO NILO/20TH CENTURY STUDIOS - REPRODUÇÃO

Se baseando em uma noção totalmente imagética, essa tentativa (só o tempo dirá se de sucesso ou falha) de criar um universo cinematográfico da vasta obra de Agatha Christie é algo que se prende no significado totalmente dúbio da palavra “curioso”.

Se “Assassinato no Expresso do Oriente” se segura exclusivamente na facilidade de assimilação do público por ser o título mais “cinematográfico” e um dos mais adaptados da rainha do crime, estar diante de “Morte no Nilo” é um exercício de tentativas que se perdem em tantos erros que você acaba aceitando o filme mais como uma paródia involuntária do gênero que está inserido do que uma tentativa de inovação.

Está tudo no seu devido lugar: todos os estereótipos; as situações clichês; o método narrativo de entregar para todos pelo menos um momento de dúvida perante ao público. Não escapa nada da direção do Kenneth Branagh. E ele merece pelo menos uma estrela por conseguir fazer da salada de informações e ações algo que, por mais que rocambolesco, tenha sentido nessas poucos mais de 2 horas de filme.

Mas onde está realmente o erro aqui? Talvez venha da eloquência de tentar fazer de uma história contida ser algo que extrapole a tela. Sem esquecer do método que não inova nada quando comparado ao filme anterior, soando repetitivo e até didático demais quando um climax que não necessariamente precise ser energizante, mas que de obrigação tem que ser satisfatório.

Concordo com quem fala que Agatha Christie possui histórias melhores e que causariam mais impacto na tela, mas entendo a escolha de levar para o cinema um livro tão minucioso em sua essência original como “Morte no Nilo”.

Porém, o pecado é não perceber que é nos detalhes que está o diabo.

E o cinema é igual satã: não perdoa jamais.

 

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