Construir histórias de nosso passado, sem narrativas preexistentes e transformá-las em cinema, requer bem mais que criatividade. É preciso conhecer a mitologia e os vários meandros daquela civilização e, sobretudo, adequá-las bem as regras do entretenimento. E quando algo dá errado nessa estranha mistura, fatalmente não haverá “louros” para a produção, apenas tristeza. “O Homem do Norte” que estreia nos cinemas amanhã (12), é um daqueles filmes que preenche bem o discurso anterior, mas de maneira negativa. Com ligeira expertise no campo histórico, o filme fracassa como produto cinematográfico, tornando-se um emaranhado de informações soltas e enfadonhas.

O filme da Universal Pictures já começa confuso para o expectador. Abordando uma tragédia familiar que cuminará numa vingança previsível, vazia e sem boas respostas. O desequilibrado “O Homem do Norte” opta pela ausência de informações relevantes nos principais momentos da trama, enquanto que noutros, era repleto do desnecessário. Claro que muito disso deve-se ao frágil roteiro escrito pelo próprio diretor da trama, Robert Eggers (“A Bruxa”, “O Farol”). Ele provavelmente tinha boas intenções, o que pode ser notado pela paixão nos cortes, nas cenas bem filmadas – reconhecidamente, as propostas técnicas de um fotografia invejável ocorria – porém, era observado uma luta hercúlea com os textos.

Para piorar, “O Homem do Norte” falha como gênero de ação. Burocrático e disfuncional, o longa não respeita o “DNA” do cinema. De um dinamismo duvidoso, arrastado em momentos cruciais, de pouca ou nenhuma sensibilidade pela arte e apoiado numa violência sem sentido, logo, a produção não convence. Vale frisar que esse desconforto era tão palpável na trama, até os próprios astros estavam perdidos e não escondiam isso pelo olhar. Maior exemplo que o de Alexander Skarsgård, o protagonista Amiath, não há. Ele terminou o trabalho sem compreender o que o diretor queria, nem quem o era – e isso, não foi proposital. A exceção esteve, tão somente, com Anya Taylor-Joy. Mas é inconcebível você contar Ethan Hawke, Nicole Kidman, Willem Dafoe e os desperdiçar.

Por outro lado, no quesito técnico, o filme da Universal esteve bem. Num longa ligeiramente ruim, a qualidade por detrás dos bastidores se sobressaíram. “O Homem do Norte” contou com ótimas locações [designer de produção], maquiagem e cabelo, e claro, o figurino viking. Os efeitos visuais, som, mixagem e edição também subiram o sarrafo, condizente com a mega-produção.

Falho em todos os atos, principalmente, em sua própria premissa e como filme em si, “O Homem do Norte” é um épico mal sucedido em todos os segmentos. As ideias de Eggers foram frustradas pelos arcos confusos e falta de identidade construídos pelo próprio diretor. O longa não se comportou como um verdadeiro viking, sólido como o gelo do ártico e sucumbiu ao desleixo existencial.

Classificação:

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Com classificação do tipo “R” – Forte teor de violência, algum conteúdo sexual e nudez, o filme será para maiores de 18 anos – , o longa da Universal Pictures estreia amanhã (12) nos cinemas.

By Amauri Alves

Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante (...) Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo

8 thoughts on “O Homem do Norte (2022) | Crítica”
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