Revisitar produções de sucesso tem sido uma temática corriqueira em Hollywood. Vez por outra, somos surpreendidos com reinvenções cinematográficas “estranhas” ao original; ou sequencias “fora do prumo”. Se exercitarmos a mente, podemos fazer uma lista que tende quase ao infinito de remakes, reboot’s e continuações que fracassaram. Que nos faz perguntar: “Cabia ou não uma outra adaptação aqui?”.

A saga capitaneada por Tom Cruise, “Top Gun” correu esse risco, talvez um risco desnecessário, dado o lapso temporal do primeiro e desse filme. Tudo bem que “Ases Indomáveis” não era um verdadeiro primor de produto, mas funcionou, teve seus êxitos. Logo, será que após 36 anos, “Top Gun” valeria esse empenho de energia? Bom… “Maverick” é um exemplo perfeito que dá pra continuar uma boa saga, quando se respeita o “DNA”, a essência da produção, mesmo com a inserção de novos elementos.

“Top Gun: Maverick”, de Peter Craig e Justin Marks, é bem mais que um resultado positivo de discurso. O longa da Paramount Pictures emana cinema de geração – que deu certo lá trás – mas é esquecido atualmente. “Top Gun 2” volta e apresenta no melhor das intenções cenas de ação imponentes, protagonista univitelino marcante, trilha sonora dançante, e um vislumbre oitentista. O diretor Joseph Kosinski (“Tron – O Legado”; “Oblivion”) fez o seu dever de casa brilhantemente. Boa parte dos alicerces do “cinema brucutu” estavam por lá, e me parece que ele fez questão disso. “Maverick” é junção quase perfeita do que todo e qualquer bom filme de ação deveria ter.

O cuidado com a fotografia, a antítese comportamental com os seus pares, os cortes com o passado, levaram o conceito de flashback’s a outro patamar. Eram necessários, até pra garantir a experiência dos mais novos ou o saudosismo dos mais velhos. E esse zelo pelo trabalho, Kosinski buscou.

Mas será que o filme foi perfeito? É óbvio que não. “Maverick” sofreu em dois importantes quesitos, nada que classifique o filme como ruim, ou caótico, mas que tiraram um pouco do brilho dourado sobre a produção: O pseudo-exagero no discurso e a falta de ousadia – coisas que até aqui se confundem. O roteiro de Ehren Kruger, Eric Warren Singer e Christopher McQuarrie beneficiaram as peripécias de Cruise e Cia., porém houve um determinado momento na trama – o chamado ponto de inflexão – que os escritores meteram os pés pelas mãos. Para trazer dos mortos o protagonista, eles terminaram por escolher o caminho mais longo e nada ousado. A história vendia uma provável ruptura com o passado a qualquer momento, apresentando um futuro com novos rostos e imensas possibilidades, mas por falta de perspectiva, optaram pelo que é seguro, optaram por manter Tom Cruise ainda dentro da saga.

E sobre o ator e produtor do filme, Cruise, mais uma vez, fez a sua parte a frente das câmeras. Ele é quase um simbolo, ou um bom sinônimo para o gênero. Porém, enxergo em Miles Teller [Brad Bradshaw] e Glen Powell [Hangman] um futuro interessante para a franquia.

Como filme de ação, “Top Gun: Maverick” é brilhante – um verdadeiro espetáculo a parte -. As tomadas aéreas são de tirar o fôlego. A exploração dos impactos nos cockpit’s das aeronaves dão o toque de simplicidade com mesclas de profundidade necessárias para a trama. Dinâmica e estruturalmente eficiente, a sequencia de “Top Gun” cumpre bem as premissas estabelecidas pelo staff. O longa é, sem sombra de dúvidas, uma inserção inteligente e clássica do patriotismo americano. Mas, talvez, não ao item físico das coisas, filosófico até, mas ao povo, aos colegas de trabalho e a Marinha – representando aqui, a nossa realidade. A nossa cumplicidade com os mais próximos, com a família que escolhemos participar.

Portanto, “Top Gun: Maverick” merece ser celebrado. Não por ser intocável, que não é, ou pelos apelos ufanos, mas pelo resgate do cinema como gênero clássico, que nos faz visitar os múltiplos sentimentos dantes. Regado a um bom som e cenas incrivelmente impressionantes.

 

Classificação:

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Estrelado por Tom Cruise, o filme da Paramount Pictures, “Top Gun: Maverick” está programado para ser lançado em 26 de maio.

By Amauri Alves

Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante (...) Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo

5 thoughts on “Top Gun: Maverick (2022) | Crítica”

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