Quando o cinema aborda filmes de superação, com certo tom de dramaticidade, normalmente é adicionado ao hall dessas produções o tema ‘esportes’. Você não precisará de muito para trazer a memória alguns exemplos do subgênero, cito: “Técnico Carter (2005)”, “Estrada Para a Glória (2006)”, “Um Sonho Impossível (2009)”, “Invictus (2009)”, “O Caminho de Volta (2020)”, “King Richard (2021)” e mais. Com características similares, o que tornará desses filmes algo fora do comum no aspecto positivo são as atuações, o verdadeiro brilho do artista. “Arremessando Alto”, da Netflix, aceita essa premissa e vê no irregular Adam Sandler um trabalho quase perfeito, colocando o longa num patamar acima do desejável.

Sandler é imponente em quase toda produção. Ele não só transpira sobriedade, como suspira emoção e inventividade. Faz lembrar do excelente trabalho em “Jóias Brutas (2019)”, também da Netflix. Na pele do olheiro Stanley Sugerman, Adam entrega bem mais que sentimentos, ou o verdadeiro espírito esportivo. Com sensatez traz uma atuação quase genuína, humana. Apoiado pela madura Queen Latifah, ele transita bem pelos quadros e traz a existência a nossa própria humanidade, em debate, e foco.

O que pode também ter ajudado Adam Sandler é o perspicaz roteiro e direção de Jeremiah Zagar (“We The Animals”, “In a Dream”). A história não é só envolvente, como dinâmica e deliciosa de se acompanhar. Há profundidade nos personagens, nas tramas apresentadas e em boa parte dos arcos.

Claro que “Arremessando Alto” não é perfeito, algumas situações eram até esperadas, mas no todo, o filme se sobressai. Uma pequena amostra disso, é a escolha dos astros da NBA como personagens satélites, seja representando a si mesmos ou pseudônimos, dá uma certeza de que a própria produção sabia o que queria, e onde gostaria de estar, com destaque para Juancho Hernangómez que viveu Bo Cruz – jogador de basquete espanhol. A relação em tornar tudo isso confortável e próximo ao ambiente esportivo, facilitou de maneira assertiva, pontual e muito inteligente o filme “Arremessando Alto”.

Textualmente harmônico, e com boa trilha sonora, edição e mixagem de som, o longa Netflix é tratado como ligeiramente ‘ótimo’. Pois, os requisitos mais básicos e inerentes a uma produção qualquer estão relativamente presentes nele. “Arremessando Alto” vence pelo conjunto da obra, e claro, pela atuação de Adam Sandler, que tornou o filme maior do que é.

 

PS.: O longa apresenta semelhanças, e é proposital, a “Rocky”, filme de 1976, estrelado por Sylvester Stallone.

Classificação:

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O longa Netflix encontra-se na plataforma digital.

By Amauri Alves

Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante (...) Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo

3 thoughts on “Arremessando Alto (2022) | Crítica”

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