Animação… Antes tratado como um subgênero do cinema e sim, vinculada aos tubos mágicos vulgarmente chamados de TV’s, saiu do calabouço existencial, cresceu dentro do seu projeto inicial, ganhou ares adulto e conquistou crianças e adultos. A animação deixou a simplicidade e enveredou o caminho complexo da vida, prometendo tornar-se um dos alicerces da arte, a tão pura arte, num futuro próximo. “Lightyear”, da Pixar Animation Studios, encaixa-se perfeitamente nesse discurso. Não apenas por apresentar uma arte ‘viva’, mas o conjunto de sentimentos que nos faz humanos, dos acertos aos erros. Aqui, não se sabe o que é real ou um desenho, aqui há apenas um toque de humanidade desajustada mas perfeitamente equilibrada.

Angus MacLane (“BURN-E”) que esteve em vários curtas do estúdio, muitos deles de sucesso, colocou em prática a sua perspectiva sobre o gênero nessa spin-off da franquia “Toy Story” e o resultado foi bastante satisfatório. Os cortes, a pungência entre os atos, a profundidade dos personagens apresentados demonstram o jeito Pixar de empreender e traduzir a realidade para o espectador. MacLane não foi perfeito em “Lightyear”, você claramente verá algumas dificuldades na hora de expor algumas de suas ideias, mas no geral, o filme é extremamente competente e plausível no campo dramático.

Quanto gênero de ficção-científica, “Lightyear” também não fica atrás dos live-action’s. O staff do filme teve o cuidado de não só seguir algumas teorias científicas como foi capaz de colocá-las em prática de maneira bem didática – o que é um ponto muito positivo quando realiza-se inúmeras comparações filmográficas. Como desenho, se podemos classificá-lo de maneira tão simplória assim, “Lightyear” conseguiu melhorar os contornos já superiores a última versão da franquia. E não é só quanto aos traços, os demais quesitos técnicos do filme Disney são de arrepiar. Não se enganem quando o título for indicado à categoria de Melhor Animação do Oscar 2023.

“Lightyear” funciona bem em quase todos os quesitos como cinema. E como entretenimento, nem se fala. É diversão garantida para os menores aos maiores. Vale salientar que a Pixar soube deslocar o longa da franquia original e da série animada sem traumas. Mostrando, conceitualmente, que o estúdio leva muito a sério o fã, o público e os críticos. Além de se preocupar com a linguagem atual, contemporânea, “Lightyear” é bem escrito e conduzido. Portanto, merece mais do que os nossos aplausos, o nosso respeito. Pete Docter e MacLane foram muito felizes no roteiro, do plot a construção da espinha dorsal da trama.

O filme mostrou maturidade, sensatez e possibilidades. “Lightyear” mostrou que há vida após “Toy Story” e que sim, cabe sequencia, do mesmo nível ou melhor que o original.

Classificação:

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O filme animado “Lightyear”, da Walt Disney Company, chegará exclusivamente nos cinemas, em 16 de junho.

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