Não é necessário que toda obra artística tenha um discurso social ativo pungente. Algo pode ser falado, desenvolvido com suavidade nos argumentos. As novelas brasileiras tem, por natureza, esse aparato técnico. Uma a uma tiveram a seu tempo uma dada finalidade social. Talvez não a ideal para os que tem pressa [e muitos tem pressa], mas elas atuaram sim, como um entretenimento-denunciativo, arregimentando o publico e parando o país. Um exemplo “fresco” para essa fala é o remake de “Pantanal”, atualmente exibido na TV Globo.

Porém, é observado que essa estrutura literária está mudando. “Maldivas” – a obra que trataremos nesse texto – tenta seguir por um caminho mais atual e evolutivo nesse diapasão. Disfarçada de série nacional, a novela Netflix segue uma fórmula já praticada em obras mexicanas da mesma plataforma. Com uma trama mais pontual, e sem perder o discurso principal, elas tentam criar um produto para a voracidade do publico contemporâneo que não tem paciência nenhuma para cento e poucos capítulos naquele rígido horário. É perfeita? Longe disso… Mas responde bem a sua premissa.

Criada por Natália Klein (“Adorável Psicose”) e dirigida por José Alvarenga Júnior (“Os Normais”), “Maldivas” conta a história de um assassinato misterioso em pleno condomínio de luxo, no Rio de Janeiro. Na investigação promovida pela policia, três suspeitas despontam, as moradoras Milene (Manu Gavassi), Rayssa (Sheron Menezzes) e Kat (Carol Castro). Para somar a esse conturbado momento, a filha da vítima, Liz (Bruna Marquezine) procura entender o que aconteceu a mãe e, de alguma forma, conhecer a sua própria história.

O que poderia ser um simples jogo argumentativo, ganha ares de loucura e certa ‘profundidade’. O que é estranhamente bom. “Maldivas” não é uma obra perfeita, mas possui um elenco interessante, encantador, carismático. Como é a nossa teledramaturgia. O roteiro possui lá seus erros e equívocos. Mas as boas atuações das quatro jovens convencem o espectador, superando os problemas e “furos” apresentados.

Repleto de reviravoltas e razoáveis plot’s, o programa nacional tenta ganhar sua própria identidade no discurso. Tendendo ao puro entretenimento, “Maldivas” escolhe não deixar ‘barato’ a sociedade machista que vivemos. A série tece de maneira mais contida, críticas a essa perspectiva esdruxula e arraigada em nossa sociedade.

Sem confirmação até o fechamento dessa matéria [quanto ao anuncio de uma segunda temporada], “Maldivas” termina bem para o publico. Com mais pontos positivos que negativos, o programa Netflix vence pela naturalidade das coisas. Entrega entretenimento com cortes nacionais. Bem dirigido e elenco ‘fofo’, “Maldivas” é uma boa ‘novela’ e o staff dela sabe disso, pois conseguiu compreender do que se tratava, performando com muita simplicidade sua própria convicção textual.

 

Classificação:

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A primeira temporada da série é produzida pela O2 Filmes e transmitida pela Netflix.

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