Sempre sendo pertinente naquilo que de dispôs a ser como algo que busca no suspense/horror, a Blumhouse Productions é sem dúvidas o estúdio mais prolifero do cinema de gênero com seus filmes que não só buscam celebrar, como também de se permitir a ir por caminhos pouco desbravados e com um forte gosto pela experimentação – que é a peça chave desse tipo de filme.

O filme “O Telefone Preto” não é o que podemos chamar de filme original, mas ele mesmo está ciente disso e não tenta em nenhum momento ser visto como tal. Sua permissa é simples e direta, com uma introdução no primeiro ato que de tão rápida merece destaque. Não existe perca de tempo, e quando o filme avança rapidamente para o que se vende nos trailers – sem perder fôlego ou ânimo – sabemos que valeu a pena estar ali.

Interessa perceber como a única coisa que faz o filme ser visto como um “filme de época” é a ambientação que por não ser afetada consegue a façanha de se perder na tela e só lembramos que estamos na década de 70 quando vemos Mullets exagerados ou quando o filme lembra que precisa de uma trilha com músicas da época e toca – por exemplo – um Pink Floyd.

O destaque aqui está para a atuação do trio principal que a todo momento entregam quando surgem na tela. De um lado temos Ethan Hawke e Mason Thames em uma simetria absurda na função sequestrador vs. sequestrado que confunde nossa mente com a necessidade de querer ver mais daquela dinâmica; em contrapartida temos Madeleine McGraw que em sua atuação solitária (não tem ninguém páreo para a atriz mirim em cena e ela parece realmente que está atuando sozinha em alguns momentos) é responsável por nos guiar pela investigação do caso.

O ponto negativo seriam os coadjuvantes que estão apenas ali para que os principais tenham um verdadeiro desenvolvimento, como se eles fossem degraus de uma escada que precisa ser pisada para que aconteça um progresso. É o mal necessário que o roteiro está diante que precisa ter para chegar aonde quer.

Alguns podem apontar como as questões sobrenaturais do filme não são devidamente explicadas ou trabalhadas. Estamos diante de uma obra que consegue ter tensão em um timming perfeito, com uma criança mandando um WTF em uma oração e com um dos clímax mais divertidos dos filmes de suspense/horror dos últimos anos. Acho que conseguimos lidar com fantasmas que fazer interurbano para uma criança em um telefone sem fios de conexão.

Classificação:

Leia também, outras críticas nossas:

Da Universal Pictures, “O Telefone Preto” é comandado por Scott Derrickson (“Doutor Estranho”), a partir do roteiro de C. Robert Cargill. O longa que é uma adaptação do conto homônimo de 2004, do autor Joe Hill, está programado para chegar ao Brasil amanhã, dia 21 de julho.

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