Antonie Fuqua é um dos grandes nomes do gênero de Ação. Filmes como “Dia de Treinamento (2001)”, “Lágrimas do Sol (2003)”, “Rei Arthur (2004)”, “O Protetor (2014)” e muito mais esteve sob suas hábeis mãos. Logo, qualquer que seja a produção ligada a sua ‘marca’ deveria transbordar qualidade e inventividade. Porém, em suas últimas produções tem se observado certo ‘comodismo criativo’ de sua parte. E a primeira temporada de “A Lista Terminal”, estrelada pelo astro Chris Pratt (“Guardiões da Galáxia”), denota esse entendimento. Fuqua mudou o seu próprio tom e burocratizou a perspectiva sobre a velha vingança tratada em sua filmografia, tornando a produção distribuída pela Prime Video num emaranhado de ideias que não deram certo.

Baseada na obra homônima de Jack Carr, a série tem um início interessante. Os elementos de um programa de ação estão ali. É fácil identificar as motivações do fuzileiro naval James Reece (Pratt) em busca por justiça. As cenas de ação são de ótima qualidade, como é de praxe nos trabalhos de Fuqua, porém ele traz a narrativa um sentimento burocrático insistente. Repleto de flashback’s que no final de tudo não ajudarão em nada o protagonista, a trama se perde em ideias. Pode-se usar qualquer argumento para justificar tais cortes, aliás, tentaram [lida com a perda; câncer no cérebro], contudo, nada, absolutamente nada se explica um acorde de 5 min em 5 min; é quase uma lástima textual.  Logo, essa ‘mania estranha’ deixou o espectador desmotivado em acompanhar a história. Em outras palavras, o diretor aprisionou o produto, tornando-o arrastado e nada dinâmico para o gênero, o que é um quase erro fatal para a série.

Além disso, o showrunner David DiGilio esqueceu que toda e qualquer narrativa precisa de boas amarras textuais, de evolução por parte da trama, perspectiva e história e se, usar algum plot, que seja bem feito. Mas não. DiGilio propôs algo complicado e sem forma, sem abraçar o gênero que só não viveu momentos piores pela boa interpretação de Pratt.

E falando sobre o elenco, Chris praticamente foi filho único. Talvez isso não seja um problema, e não é se você tem a capacidade de dizer que tudo é o protagonista, tudo gira ao seu redor. Mas em “A Lista Terminal” precisava-se que os secundários fossem mais fortes, profundos, e o que vimos foi a falta de desenvolvimento. Até os vilões foram ‘frágeis’. Todos os astros pareciam estar de carona na produção. Fuqua lançou fora Constance Wu, Sean Gunn, Jai Courtney, Taylor Kitsch e outros. E quando se imaginaria que eles iriam decolar, a série os puxava para baixo, jogando-os num vazio existencial.

Quanto aos quesitos técnicos, “A Lista Terminal” foi bem. A escolha por ambientes abertos – fora do estúdio – e menos CGI, deixou o clima mais interessante, real para o espectador. Além disso, a trilha sonora, edição e som funcionaram perfeitamente bem – talvez, o que manteve o programa na base do ‘OK’.

Portanto, constata-se que “A Lista Terminal” teve boas ideias, criando um ambiente promissor, mas perdeu-se dentro de seus próprios argumentos e escolhas narrativas. Se a jornada foi depressiva, o final  conseguiu transpor a barreira do clima estranho e desnecessário. Como cinema de ação, a série teve seus acertos, como drama, os erros foram quase fatais. E nessa linha paradoxal, a Prime Video entregou um produto final capenga e cheio de recortes. Não sei se o programa merece uma segunda temporada.

Classificação:

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Com oito episódios, a primeira temporada de “A Lista Terminal” está disponível no Amazon Prime Video.

By Amauri Alves

Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante (...) Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo

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