O cinema é o espetáculo da ilusão. Um amontoado de luzes e sombras que entram em nossas retinas e nos levam aos mais intensos, eletrizantes e – dependendo de quem esteja no comando – conturbados caminhos. Mas os verdadeiros artistas são aqueles que conseguem fazer sua arte sobreviver ao mais temido e tirano dos testes: O acender das luzes na sala de cinema.

“Elvis”, da Warner Bros., começa, permanece e termina no exagero tão característico do seu diretor. Baz Luhrmann é atualmente o cineasta mais extravagante do cinema e consegue com seu excesso visual ser mais megalomaníaco dos diretores em atividade. Seus defensores alegam que seus filmes são a essência primordial do cinema enquanto que seus detratores o acusam de ser perder no escapismo.

Por incrível que pareça, ambos estão certos no que dizem e em “Elvis” tudo isso se tornam adjetivos qualitativos.

Já pelos créditos iniciais sabemos que estamos diante de um filme de cinema. A logo da Warner surge toda cravejada em pedras preciosas como presságio de tudo que vamos passar nas mais de 2h30 que o filme tem de duração. E não temos um problema com o tempo porque é tudo milimetricamente calculado para aparecer na tela, com tudo sabendo quando começar e terminar – principalmente os atos musicais.

A melhor escolha narrativa que temos aqui é o filme ser conduzido pelo antagonista e sua tentativa constante de tentar nos convencer que ele não é realmente o vilão do nosso herói. Essa constante dualidade entre fatos e contradições além de nos manter atentos ao que está sendo contado nos faz perceber no que realmente devemos acreditar ou descartar.

Em contraponto, o maior dos problemas do filme se encontra no fato de que realmente estamos diante de um filme de cinema que precisa dele em sua forma mais bruta para ser consumido. Tanto as excelentes cenas musicais quanto as epifanias da mente surtada do Luhrmann só funcionam em total imersão de uma sala de cinema e já vejo muitos apertos no botão de PAUSE quando o filme chegar nos streamings.

Mas não posso ser elitista e querer definir como alguém deve consumir algo. O que posso falar de “Elvis” é que ele é um show cinematográfico, que funciona como uma ode à era de ouro de Hollywood, e que entrega atuações surpreendentes de Austin Butler e Tom Hanks.

Finalmente Baz Luhrmann conseguiu fazer o exagero fazer sentido.

 

Classificação:

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Warner Bros. Pictures apresenta, em parceria com Bazmark Production, Jackal Group Production, Baz Luhrmann Film, “Elvis” que chega no dia 14 de julho, só nos cinemas.