Não é de hoje que a industria do entretenimento tenta trazer algo que se diga minimamente bom em narrativa de game (ainda estou esperando uma obra que seja melhor do que o primeiro Silent Hill) e a franquia Resident Evil não foge a regra, tentando a todo custo (ou não) se reinventar e agradar aos dois tipos de fãs, os de jogos e os que não jogam e só querem um boa estória.

Temos os filmes da protagonista Alice de Mila Jovovich e Paul Verhoeven que mesmo usando alguns elementos dos games, ficou mais como uma imensa vitrine para as atuações de Mila (fruto do seu amado Paul). Temos as animações onde os primeiros foram bem datados em termos de qualidade gráfica mas em termos de narrativa, serviram mais como prólogos dos que viriam a ser os games Resident Evil 4, 5 e 6. Também tivemos a tentativa da Sony Pictures com o famigerado Resident Evil: Bem-Vindo a Raccoon City que acabou falhando miseravelmente como filme de Resident e como filme de terror/ação não agradando a maioria dos dois tipos de fãs e agora temos Resident Evil como série da Netflix.

Vamos começar pela construção narrativa da série que da maneira que fizeram (entrelaçando os eventos nos anos de 2022 e 2036) te prendem de um jeito que você sempre quer saber o que vem depois. Mesmo com algumas soluções clichês, a série acerta em mostrar o lado humano dos personagens com as suas virtudes e seus defeitos, e não focar só nos zumbis que aqui são chamados de “zeros” (mesmo com vários tipos).

Mesmo a estória tendo um espinha dorsal, ela segue por duas frentes (melhor, duas datas). Os personagens que estão no ano de 2022 que basicamente mostra a adolescência de Jade (Tamara Smart) e Billie Wesker (Siena Agudong) chegando em New Raccoon City (que fica na Africa do Sul), suas interações com o pai, Albert Wesker (Lance Reddick), na vida colegial e amigos como Simon (Connor Gorsatti) e com o trabalho do pai na Umbrella Corporation com a presidente Evelyn Marcus (Paola Núnez).  Os personagens que estão em 2036 que mostra como a Terra ficou por causa do surto de T-Vírus e as consequências de certos atos. Podemos ver Jade (Ella Balinska) tentando estudar os comportamentos dos zeros, tendo uma família com namorado e filha e a interação com a irmã Billie (Adeline Rudolph).

As atuações de Lance Reddick e Ella Balinska roubam a cena em vários momentos em que eles lideram seus arcos narrativos.

Apesar de um estória “original”, a série usa vários east eggs dos games como alguns nomes de personagens (Albert Wesker, Evelyn e Ada), alguns eventos (morte de Wesker e destruição de Raccoon City), puzzles (quem não se lembra de Moonlight Sonata) e é claro, alguns bows (aranha, crocodilo e Tyrant).

No final, posso dizer que a série tem seus problemas mas entrega o que ela se propõem… contar uma estória. Se tirasse o nome RESIDENT EVIL, a série teria uma chance de ser melhor aproveitada e seria uma obra independente que mostra o que acontece quando o ser humano quer brincar de Deus mostrando suas mazelas como ambição, arrogância e ganância mas infelizmente, nós que somos fãs da obra gamer original, teremos que esperar mais tempo por uma obra que tenha propriedade para sustentar o nome RESIDENT EVIL.

 

Classificação:

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Com oito episódios, a primeira temporada de “Residen Evil” está disponível na Netflix.

By Walmick Martins

Louco por Tokusatsu, principalmente a franquia Kamen Rider. Aficionado pela cultura japonesa em geral. Chefe de Redação do Mundo Oriental / Portal SiriNerd. Almoxarife Técnico da Globo Recife, radialista e técnico em telecomunicações. Ahhhh! Não poderia esquecer da coisa mais importante. Marido de uma esposa maravilhosa e pai de um anjo lindo chamado Gabriel Martins.

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