Estamos presos em um eterno déjà vu quando se trata do cinema de ação que está sendo feito atualmente no cinema americano. Uma fórmula tão repetitiva que mesmo com os números invertidos na equação ainda sim é fácil de descobrir o resultado final e – o mais macabro de tudo – é como esse resultado será descoberto.

Os irmãos Russos, Joe e Anthony, ganharam destaque quando conseguiram fechar a fase sei lá qual número da Marvel com chave de ouro (estou apenas reproduzindo o que é dito por quase todo mundo). Mas eles acabaram criando um monstro na forma como isso foi conduzido. Certo que um cineasta tem o direito de se auto-plagiar, mas quando seus filmes se tornam iguais é algo a se questionar.

“Agente Oculto” é exatamente igual a tudo que você já viu. Um filme de espionagem que usa e abusa de locações internacionais com letreiros que ocupam metade da tela para nos contar onde o herói está; personagens que aparecem e já sabemos qual é seu papel no roteiro; um excesso de ação que em vez de entreter só nos deixa entediado. Tem clichês para todos os gostos, basta escolher.

Ryan Gosling não é um ator ruim, na verdade ele é um ator que o diretor precisa saber suas limitações e onde incluí-lo nas obras – algo parecido com a Kristen Stewart. O problema dele aqui é que é “Agente Oculto”, da Netflix, requer algo cheio de personalidade (para não falar descolado) e ele não consegue fazer muito. É uma escolha um tanto que peculiar tendo em vista que no seu oposto está um Chris Evans que de tão exagerado até que se torna divertido de acompanhar em alguns momentos.

De todos os erros do filme o que mais me deixou gargalhando foram os créditos finais que apresentam os personagens como se fosse um filme de super-herói. Acho que os irmãos tão precisando de um detox do cinema para pararem de fazer filmes achando que tão presos numa estética de cinema que não os cabe mais.

 

Classificação:

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Baseado no livro “The Gray Man”, de Mark Greaney, o filme é dirigido por Joe e Anthony Russo, a partir do roteiro do próprio Joe, Christopher Markus Stephen McFeely. “Agente Oculto” encontra-se disponível só na Netflix.

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