A cultura do cancelamento define as redes?

Se tem uma cultura que está em alta é a cultura do cancelamento. Pergunta básica: você já foi cancelado na internet?

 

Num local democraticamente plural (tão democrático, que chega a não ter limites), a cultura do cancelamento está em alta e é o medo de qualquer artista ou pessoa que usam as redes sociais. Com câmeras por todos os lados, onde ninguém está a salvo, seus movimentos são assistidos, palavras são gravadas e é julgado por menos, como se ninguém tivesse teto de vidro. A internet que acolhe, também é aquela que apedreja. Como lidar com esse pisar de ovos?

O cancelamento faz o que a gente chama de “exposição seguido de apagamento”, onde expõe tudo (as pessoas correm atrás de discursos antigos, até antes de ser conhecido) até ignorar qualquer conteúdo que a pessoa possa compartilhar em suas redes. Muitos artistas sentem medo pelo cancelamento, que é a resposta de grande parte de quem frequenta as redes, perdendo oportunidades e as empresas não querendo ser vinculadas com aqueles que são julgados, nada pode interferir no lucro. Em contra partida, existem aqueles que são enaltecidos, o que aumentam os lucros. O capitalismo ditando comportamentos sempre que pode e isto não é discutível.

Os canceladores são pessoas que discordam (podem até ter base, dependendo da questão) de algum tipo de posicionamento, comentário ou comportamento da pessoa que antes admirava. Porém, com pouca pesquisa de redes, podemos conseguir material da qual comprometa a pessoa (seja em contradição, seja com hipocrisia). Por isso, a incidência dos perfis fakes/robôs cresceu para que possa disparar os ousados comentários e recrutar pessoas, tirando até as situações de contexto.

Ao mesmo tempo que a internet possui os canceladores, existem aqueles que usam de “empatia” com a pessoa cancelada e faz o mesmo que os próprios canceladores (expondo e discutindo), assim como denunciando perfis para derrubar. Esse comportamento similar vem ganhando mais espaço na rede dia após dia como uma contra cultura (vide BigBrotherBrasil 21), onde o objetivo é tornarmos ambiente virtual mais harmonioso – sem aquele famoso fogo no parquinho – pela enxurrada de coisas ruins que vem sendo veiculadas durante este estado de sítio pandêmico. Estar em casa dá a oportunidade de ter mais tempo de ócio e a falta de sociabilidade constroem as inúmeras interpretações unilaterais de uma situação.

Sabemos que o mundo é redondo e gira 365 vezes para uma grande revolução, e isso nos dá a notória sabedoria de que podemos passar de algoz para vítima em uma escala tão rápida, que o tempo de reação pode ser até inexistente. Quando nosso calcanhar de Aquiles é descoberto, o que podemos fazer é: ou nos tornarmos vulneráveis de vez e abraçar, ou tentar se defender com maestria, até mesmo usando o silêncio ou assumindo a culpa que não pode ser necessariamente sua. E se me permite, um pouco de quelícera: resta saber se a OAB expediu tantas carteiras dos membros e juízes foram formados, além de claro, o senso de justiça ter a interpretação de apenas um lado e as pessoas serem impecáveis: o pecado de quem julga é punido por julgamento.

Quem cancela o cancelador?

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