ARANHA (2019) | Crítica

Recontar histórias de uma nação através do cinema é uma tarefa controversa e desafiadora quando percebe-se que até as mais imparciais versões começam a se desenvolver de um lado da desavença. E se tratando de cinema que não esconde seu viés político (pois tudo é política) precisamos, como telespectadores, estar atentos a tudo que está nos sendo passado em tela e em nenhum momento abraçar tudo como verdade.

“Aranha” é um belo exemplo de cinema urgente que surge diante de um passado tão intenso e massacrante que nós – sul americanos – carregamos em nossa história. A diferença é que aqui o filme escolhe contar a história do país (no caso o Chile e a queda do governo democraticamente eleito de Salvador Allende) pela ótica do partido de de extrema-direita neofascista que apoiou esse golpe de estado e como até hoje eles estão interligados dos mais diversos poderes do país.

Andrés Wood pode ser visto como um diretor exemplar pela forma que consegue se distanciar da teoria do protagonismo de cinema que transforma seus personagens principais em objetos dignos de empatia. Mesmo com um começo nebuloso para quem assiste, não sentimos nada de positivo sobre Inês ou Geraldo que são nos apresentados no prólogo sem que saibamos do seu passado e suas ações.

O cinema americano (assim como o governo desse país) foi responsável por criar uma percepção muito generalista do fazer cinema e qualquer coisa que se distancie um pouco da logística hollywoodiana de se contar uma história pode ser vista com olhos duvidosos pela audiência.

No caso de “Aranha”, os problemas estão muito mais nas escolhas que a direção decide assumir na narrativa. É um filme que em nenhum momento nega o lado que está, mas que abre muita brecha para que as interpretações sejam possíveis.

Por se tratar de um filme sobre a complicada (e confusa) história da América do Sul poderia ter tido um pouco mais de precisão onde se queria chegar contando e dando voz para uma parte tão alarmante da peleja.

Esse aqui é um exemplo ótimo de um cinema interessante mas muito perdido dentro de si mesmo. Não sei, mas talvez o documentário alemão que rola dentro do filme talvez seja a melhor escolha.

 

Classificação:

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“Aranha” é uma produção argentino-brasileira, distribuída em nosso país pela Pandora Filmes, com estreia marcada para 23 de setembro nos cinemas.

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