Ás Inimigo – Um poema de guerra | Artigo

Sempre que me perguntam, qual o item mais apreciado de minha coleção, o xodó, aquela pedra filosofal do acervo; eu sempre respondo sem hesitar;

– “As inimigo, um Poema de Guerra” de George Pratt.

Mas porque, Pestana?  Por que é fenomenal, simplesmente uma obra prima dos quadrinhos.

Uma trama genial, intrincada e cheia de profundidade, desenhada a óleo em tela, retratando um momento histórico da humanidade.

Ás Inimigo – Um poema de guerra – Edt. Abril – Reprodução

A obra fora concebida em 1990 por George Pratt, em homenagem a seu velho avô, mas nós só a veríamos aqui em terras tupiniquins, nos idos de agosto de 1995, quando fora publicada aqui no Brasil pela saudosa editora Abril Jovem, com toda a pompa que tinha direito à época: formato americano,  capa cartonada, sobrecapa plástica com fecho e um belo marcador de páginas; Sem contar que fora vendido de forma quase exclusiva por meio de encomenda por telefone.

Ás Inimigo, é a alcunha do personagem da DC Comics, Hans Von Hammer, também conhecido por “Martelo do Inferno”, afinal houvera sido um dos grandes pilotos da temida Luftwaffe, a força aérea alemã, responsável por ataques precisos e coordenados. Ex-combatente da primeira grande guerra mundial, o personagem fora criado em 1965, pela dupla Robert Kanigher e Joe Kubert.

A narrativa nos remete a momentos da vida de ambos os personagens; tem início com Von Hammer, já idoso e debilitado, que se encontra em um asilo para idosos, quando recebe a visita de Edward Mannock um pretenso jornalista, que alega estar ali para fazer uma matéria a respeito de veteranos de guerra. No transcorrer da trama, tomamos conhecimento que Mannock, houvera servido no Vietnã e que a despeito da matéria que estava a escrever, ele estava ali à procura de respostas e redenção. Afinal como o velho ás, ele havia vivido as agruras da guerra, e aquilo o houvera marcado profundamente de tal forma que ele ainda procurava explicação e expiação as coisas ocorridas no campo de batalha.

Pratt nos trás por meio de ambos, um roteiro e uma narrativa gráfica fenomenal, que nos prende aos detalhes dos combates, sejam aéreos ou não, sejam da guerra ou da vida, nos mostrando que muito além das batalhas travadas no teatro de operações, nos deparamos com as lutas internas de cada indivíduo ali. Difícil é definir o que há de melhor nessa HQ; roteiro ou arte. George Pratt equilibra tudo magistralmente. A narrativa gráfica é um espetáculo à parte, os diálogos de Von Hammer e Mannock nos fazem refletir acerca dos acasos vividos por ambos.

O ponto magistral da obra é durante uma noite de Natal, em meio a Primeira Guerra Mundial, onde os soldados ingleses e alemães resolvem dar “um tempo” no combate e confraternizar entre eles, em meio caminho às trincheiras, onde se saudaram em meio a tragos de rum, cigarros, troca de presentes e recordações familiares.

Nunca republicado no Brasil, é uma obra muito difícil de ser encontrada, sendo achada apenas em sebos, sites especializados ou em algumas coleções por pessoas que não abrem mão de tê-la (como eu). Uma edição pra ser lida, relida e ré-relida sempre. A despeito de ser mais um conto de guerra piegas; um poema de guerra nos mostra que em meio à loucura e destruição da guerra, é possível colher algo sublime e construtivo, imersivo, intenso e superior ao tempo e aos horrores vividos por aqueles que sobreviveram para contar a história.

One Reply to “Ás Inimigo – Um poema de guerra | Artigo”

  1. Parabéns, Glashington, pela escolha.
    Tive o prazer de ser conquistado por essa HQ sublime, a época de seu lançamento. Deslumbrado com a arte, impactado pelo roteiro e impressionado com o acabamento gráfico da publicação, a HQ pode ser considerada facilmente como uma grande obra de arte em quadrinhos. Um dos maiores lançamentos dos anos 90, no Brasil. E George Pratt pode figurar no hall de grandes mestres da nona arte como Will Eisner, Frank Miller, Alan Moore, Moebius, Marjane Satrapi, Katsuhiro Otomo e tantos outros nomes talentosos.
    Uma obra assim merece ser celebrada e republicada continuamente.

    Ei, Panini!!! Cadê você????

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